Quantas curtidas esse suicídio merece?

O que uma pessoa, certamente, faria ao avistar alguém prestes a pular de um prédio? Há alguns anos atrás, a resposta seria óbvia: buscaria socorro. Mas os tempos mudaram… Por incrível que pareça, hoje em dia muitas pessoas, possuídas pelo espírito chamado “sede por likes” e pelo desejo incontrolável de ter seus quinze minutos de fama, deixariam de salvar uma vida apenas pelo gostinho da chegada de milhares de notificações no seu Facebook. Parece loucura, mas é a realidade.

A internet, sobretudo as redes sociais, permitiu que todo mundo ganhasse voz, o que não é uma coisa ruim. O grande problema é que as pessoas estão entendendo as curtidas, comentários e compartilhamentos das redes sociais como uma competição de quem fala mais alto (de quem tem mais repercussão) em suas postagens. Assim, as linhas do tempo do Facebook, Twitter, Instagram, etc, ficam lotadas de pessoas querendo provar que são mais bonitas, felizes, intelectuais, engraçadas e populares que as outras. Todo mundo quer provar que é melhor que seus amigos ou seguidores, e isso faz com que ocorra uma guerra de ego entre os usuários.

E isso atrapalha a comunicação? Sim, e muito. Imagine uma mesa rodeada de pessoas, todas com uma história interessante (ou não) para contar, e todas subindo cada vez mais o tom da voz para fazer com que sua história chame mais atenção que as dos outros. Ninguém entenderia nada. E é assim que acontece ultimamente. Todo mundo quer falar, mas ninguém quer ouvir. Todo mundo quer atenção, mas ninguém quer dar atenção. Estamos vivendo um processo de comunicação em que todo mundo só quer ser emissor.

Hoje, as pessoas preferem comentar sobre um capítulo da novela no Facebook, ao invés de comentar com a pessoa que está assistindo com ela. Hoje, as pessoas preferem conversar nos grupos do WhatsApp, a falar com a própria família. Hoje, as pessoas preferem desabafarsuas tristezas com seus seguidores do Twitter que com seus amigos mais íntimos. As redes sociais nos tornam cada vez mais próximos de quem está longe, e cada vez mais distantes de quem está perto.

Está enganado quem pensa que esses problemas acontecem apenas na internet, pois o surgimento de uma nova era transforma o perfil das pessoas também na “vida real”. Vivemos uma era em que todos querem ser protagonistas. Um tempo de amizades fracas e relacionamentos instáveis, muitas vezes movidos mais pela repercussão que pelo amor. Não há problema nenhum em usar as redes sociais – pode ser bastante útil e uma agradável forma de lazer. O problema é deixar que a ânsia por likes e a necessidade de aparecer mais que o outro, domine o mundo.

Giovane Scanavachi / 3º Semestre de Jornalismo / UNIFAE

Não é por querer ser diferente .

garotadiferente

Quem me conhece sabe que sou clone de qualquer outra mulher, basta observar meus hábitos, minhas roupas, minhas opiniões: em geral, faço parte da turma das iguais. Mas não me tire o prazer de me manter indiferente a algumas coisas. Virou meu luxo secreto: não me sentir convidada a entrar em certas ondas. Não é todo mundo que eu permito aproximação, mas entrego o meu universo inteiro nas mãos de quem conquista minha confiança. Ter meu sorriso ou minha lágrima é questão de merecimento. Meus amigos de verdade não sabem o quanto eu os quero bem. Eles são poucos e eu os conto nos dedos de uma mão só, mas valem mais que os 900 amigos do seu facebook juntos. E o meu coração? Ele é bom, mas é burrinho. Não dou ouvidos a ele. Ou talvez, por não ouvi-lo, então a burra seja eu.