Se dê conta: transtornos alimentares

“GENTA promove há 14 anos a Semana de Conscientização sobre transtornos alimentares e obesidade”

Ontem começou mais uma campanha nacional de prevenção dos transtornos alimentares : Semana Se Dê conta 2018!

Esse movimento de conscientização é organizado desde 2004 pelo GENTA, que é o Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares, e tem o objetivo de orientar a população sobre os malefícios dos transtornos alimentares e obesidade. A campanha “Se dê conta” é lançada depois da semana de conscientização liderada pela NEDA- Associação Nacional de Transtornos Alimentares dos Estados Unidos.

Esse período é uma mobilização para alertar sobre a seriedade dos transtornos alimentares e seus fatores de risco e também para debater temas pertinentes da área. Esse ano os temas em destaque são:

– Ditadura da beleza e práticas das dietas.

– Obsessão cultural pelo corpo “perfeito”.

– Estigma da obesidade.

– Alimentação, saúde, beleza e bem-estar.

– Influência da mídia e da cultura na insatisfação corporal, autoaceitação e autoestima.

Para realizar esse trabalho o GENTA promove palestras, workshops, cursos e campanhas nas redes sociais com o objetivo de promover a autoaceitação de diversos tamanhos e formas corporais, contribuindo para a melhora da autoestima e a diminuição do estigma contra a obesidade, além de alertar sobre os perigos da alimentação inadequada. No site deles é possível baixar gratuitamente um material para uso educativo e de orientação sobre os transtornos alimentares.

GENTA- GRUPO ESPECIALIZADO EM NUTRIÇÃO E TRANSTORNOS ALIMENTARES 

O GENTA é formado por um grupo de profissionais que há quase 20 anos compartilha saberes sobre transtornos alimentares, obesidade e insatisfação corporal. Tem missão de estudar, pesquisar, avaliar e discutir formas de tratar e prevenir os TAs e obesidade. A equipe é formada por nutricionistas e profissionais de educação física. Eles têm diversos livros, artigos científicos e campanhas para promover o conhecimento sobre os transtornos alimentares, obesidade e boa relação com o corpo e saúde. 

Uma carta à Veja

Querida Veja,

Revista Veja, venho por meio deste texto ajudá-la a perceber seus erros na matéria “Jovens usam códigos para promover a anorexia na rede”. Como jornalista e estudiosa sobre transtornos alimentares me sinto obrigada a falar sobre isso.

O primeiro ponto que devemos tratar é que, eu sei que não é comum falar sobre transtornos alimentares. Problemas mentais em geral são difíceis de serem abordados  e por isso, exigem estudos ainda mais aprofundados sobre eles. É preciso conhecer sobre transtornos alimentares e entender o que são a anorexia e a bulimia, foco da matéria. Bulimia não é só vomitar depois das refeições. Mas sim, qualquer ato purgatório com o intuito de eliminar o alimento do seu corpo por causa da culpa. Existem outros métodos além do vômito e são tão sérios e graves quanto.

Outra coisa, a exposição das hashtags dessa maneira pode gerar curiosidade, busca e acabar com meninas e meninos (porque eles também existem) que já tem algum problema com a autoimagem, desenvolvendo algum transtorno alimentar. ( Que também não se resumem em anorexia e bulimia.)

Último recado

O que escolhi deixar por último porque foi o maior caso de irresponsabilidade que encontrei na matéria foi o fato de MENCIONAR o nome do remédio que é o mais usado para o emagrecimento. Vamos falar sobre ele… É um remédio usado para bronquite mas que acelera o metabolismo e faz que aconteça a perca de peso. Além da irresponsabilidade de colocar o nome do remédio – em evidência duas vezes – ainda foi colocado um print que mostra com clareza onde comprá-lo e o preço. Ah, acho importante falar que esse remédio deveria ter a venda proibida porque tem uma lista gigantesca de contraindicação, sintomas e tem grande risco de causar parada cardíaca.

Que incrível, querida Veja! Facilitando a vida de quem não conhecia e queria comprar mas não sabia onde, hein? Olha, eu sei que é difícil falar sobre transtornos alimentares e não gerar gatilho, incentivo ou fornecer dicas mesmo que sem intenção… Mas o que se vê nessa matéria é praticamente um tutorial de como não expor a doença. Esse, definitivamente, não é o caminho para colocar o assunto em pauta!