Mulheres da Reforma Protestante

Hoje comemora-se os 501 anos da Reforma Protestante. Martinho Lutero e as mulheres da Reforma são a chave de todo cristianismo protestante que vivemos hoje.

No dia 31 de outubro de 1517 o monge agostiniano Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittemberg. Com as teses ele propunha reformas na Igreja e uma nova análise bíblica. As teses marcaram o início da Reforma Protestante com “os cinco Solas”:
– Sola Gratia (a salvação é oferecida ao ser humano pela graça, sem méritos do pecador).
– Sola Fide (a salvação é recebida pela fé, sem concorrência de boas obras).
– Solus Christus (Cristo é o único Salvador e Mediador entre Deus e a humanidade).
– Sola Scriptura (a Bíblia é única regra de fé e de prática dos cristãos).
– Soli Deo Gloria (toda a glória é devida somente a Deus).

Muitos reformadores apoiaram Lutero e por isso a Igreja foi muito perseguida. Mesmo assim, as teses se espalharam pelo mundo e por hoje há protestantes por todo mundo. A Reforma de Lutero mudou, significativamente, muitos pontos da esfera religiosa. Tornando o ambiente um espaço mais acolhedor e destinado a todos, não somente aos religiosos dedicados somente à vida sacra. Você pode ler um texto sobre isso AQUI.

Bom, isso é o que mais se sabe sobre a Reforma Protestante. O fato é que Martinho Lutero foi o líder mas precisou do apoio de mulheres fortes para que conseguisse além de aguentar firme todas as perseguições, fazer com que suas ideias de revolução religiosa, fossem difundidas por todos os países. As chamadas mulheres da Reforma deram apoio nas ruas e na administração de todo processo.

Mulheres da Reforma Protestante

Começamos por Catarina Von Bora, esposa de Lutero. 

Catarina von Bora tinha 26 anos e sangue nobre, mas quase nenhum dinheiro. Como muitas moças evangélicas depois dela, Catarina foi conversar com o pastor sobre os tormentos de seu coração. O pastor dela era Martinho Lutero, comandante da Reforma Protestante, a revolução religiosa que sacudia a Europa há exatos 501 anos.

Depois de muito tempo, no final da tarde de 13 de junho de 1525, uma terça-feira, Catarina casou com Lutero, 16 anos mais velho que ela. Ele resolveu casar, além do motivo de que  estimava muito Catarina von Bora, como ele mesmo dizia,  para agradar ao pai (que sempre lhe pedia netos), irritar o papa e confirmar seu ensino de que pastores protestantes, em especial os que, como ele, eram ex-monges ou ex-­padres católicos, deviam tomar esposas para si. O casamento de Lutero foi um dos eventos que definiu os rumos da Reforma.

Segundo historiadores, Catarina foi a segunda pessoa mais importante da Reforma, perdendo apenas para Lutero, claro. Ela tinha a capacidade de mantê-lo mental, física e financeiramente saudável. Sem ela, talvez a Reforma tivesse sido diferente.

Catarina dialogava com Lutero e seus alunos, e também com outros reformadores que se reuniam em sua casa e nem sempre conseguia ir aos cultos, pois estava sempre ocupada cuidando de doentes. Não era das mulheres que saiam para pregar na rua, ela era mais administradora de toda a revolução protestante. Nos mostrando que cada uma tem seu lugar de servidão já que, sem seu apoio, talvez Martinho Lutero não tivesse conseguido ser o líder da maior Reforma Protestante da história.

Árgula Van Grumbach ( 1492 – 1554) 

Nascida de família nobre começou a ler a Bíblia menina. Escreveu panfletos defendendo a Reforma, participou de debates teológicos e disse que mesmo que Lutero voltasse atrás, ela não rejeitaria a fé protestante.

Katherine Zell (1497 – 1562)

Ajudou a consolidar a Reforma Protestante em Estrasburgo, na França. Abrigou refugiados das guerras religiosas, foi pregadora e chegou a oficiar funerais. Escreveu livros e panfletos de propaganda reformada e debateu controvérsias teológicas, como a celebração da Eucaristia. Ela escreveu ao bispo local defendendo o casamento de clérigos. Era uma mulher culta, leitora de Lutero. Também escrevia muito e incentivava as mulheres dos fugitivos (defensores da Reforma) a permanecerem firmes na fé.

Depois da morte do marido, pastor Mateus Zell, foi acusada de usurpação do púlpito.

Renée de França (1510 – 1574)

Duquesa de Ferrara, acolheu protestantes que sofriam perseguição e se correspondia com João Calvino. Seu trabalho pela Reforma irritou o Tribunal de Inquisição e acabou preferindo ir embora da Península Itálica.

Claudine Levet 

De Genebra assumiu, em diversas ocasiões, o papel de pastora e pregadora, quando eles faltavam em congregações. Ela aplicou suas posses em favor dos pobres. Marie Dentière também atuou em Genebra, como pregadora e escritora. Chegou a remeter carta à rainha Marguerite, de Navarra, pedindo que ela intercedesse junto ao irmão, o rei da França, para eliminar a divisão entre homens e mulheres.

“Embora não seja permitido a nós (mulheres) pregar em assembléias públicas e nas igrejas, não obstante não nos é proibido escrever e admoestar uma a outra com todo o amor”, escreveu à rainha.

Vemos SORORIDADE na Reforma Protestante.

 Rachel Specht 

A calvinista inglesa recorreu, em 1621, à parábola dos talentos para defender o direito das mulheres. Se Deus concedeu corpo, alma e espírito às mulheres, por que Ele daria todos esses talentos, se não para serem usados? – indagou. E não usá-los seria uma irresponsabilidade, argumentou.

Essas mulheres são tão importantes como Lutero. Elas ajudaram a fazer com que a revolução religiosa que gerou o protestantismo de hoje fosse consolidado. Ainda sabe-se muito pouco sobre elas, é difícil achar fotos e relatos mais aprofundados sobre suas vidas e feitos mas ainda assim, serve para que nós, mulheres, não nos coloquemos em segundas posições. Elas nos inspiram a nos colocarmos em lugar de luta e de coragem (o que fazemos todos os dias nas ruas) em lugares de revolução política e religiosa. Temos espaço de fala nesses lugares também. Mas só precisamos fazer a ocupação desses espaços! Que as mulheres da Reforma te inspire a chegar em lugar ainda mais altos!

Feliz dia da Reforma Protestante e das mulheres da Reforma! <3

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