Enfrente o medo

Enfrente o medo! Buenos Aires sempre vai ter um lugar especial no meu coração e isso não é segredo pra ninguém. O que talvez ninguém sabe é que foi a experiência mais desafiadora da vida. Sim, 2 meses é pouco tempo. E sim, passaram muito rápido.

O fato é: tudo é mais difícil quando você caminha acompanhada da ansiedade. Eu lembro direitinho e com perfeição o momento em que entrei na sala de embarque e a vontade era voltar pra casa. Não, a vontade não era voltar pra casa. Mas o ar parecia tão difícil que se tornou.

Quando eu fui pra Buenos Aires, não falava espanhol. Estava aprendendo a lidar com a ansiedade, as crises de pânico e uma série de outras questões. Quem tem dificuldade de lidar com a própria ansiedade sabe o que estou falando. Além disso, sempre tive um certo problema em socializar. Parece absurdo pra quem me conhece sabendo que sou muito sociável, falo bastante e etc. Mas a ansiedade de certa forma te faz duvidar de tantas coisas, até da sua capacidade de socializar.

E então, pra mim era muito difícil começar coisas. Estar em ambientes que eu não conheço, com gente que eu não conheço. Imagina ainda mais em um idioma que eu não conheço. Era estar constantemente com o coração acelerado, medo de errar, medo de não saber o que fazer, nem como falar com as pessoas. A primeira semana foi MUITO difícil apesar de incrível.

Buenos Aires é uma cidade grande. A segunda maior da América Latina, perdendo apenas pra São Paulo. Isso significa que era grande o suficiente pra eu me perder mas também grande o suficiente pra me mostrar tanta coisa nova. Inclusive, uma nova eu. Talvez capaz de se virar ali.

É normal ter medo

Sim, é normal. Mas todos os dias eu acordava e pensava: eu vou me agradecer por ter enfrentado o medo hoje. Todos os dias. Por 60 dias. Até que as coisas foram ficando mais fáceis mas ainda era preciso enfrentar tantas coisas… Fui conhecendo pessoas, aprendendo a me virar com o espanhol, sabia ir pra casa sem precisar do Google Maps e já sabia quais os meus lugares favoritos na cidade. Aqueles pros quais eu ia quando queria ficar sozinha, pensar no futuro.

Mas ainda quero voltar a falar sobre o medo de estar em ambientes novos. Não sei se é algum tipo de fobia social no início ou só os efeitos colaterais da ansiedade. Sei que quando preciso enfrentar esse tipo de coisa, sinto que vou explodir. Morrer. Não tenho ar. As mãos suam e tremem. Eu não consigo formar frases direito. E fico com medo de morrer. E de chorar na frente das pessoas. Mas eu preciso enfrentar o primeiro dia, a primeira vez que vou em um café novo, a primeira conversa com alguém que não conheço. É um pouco desesperador no começo. Mas depois, com o tempo, eu tenho que acreditar que melhora.

No final das contas sempre vale a pena enfrentar os medos ainda que pareça que eles vão te derrubar. Não vou, posso te garantir. Então, continue. Enfrente, prossiga!

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