Demi Lovato cantando em show

Demi Lovato e saúde mental #PrayForDemi

A Demi Lovato é uma das maiores artistas da atualidade. Ela começou tudo muito cedo. Faz parte do elenco da Disney Channel desde que era uma criança, começou muito cedo a fazer sucesso como atriz e cantora sendo ainda uma criança de 8 anos. Estourou com 17 quando foi protagonista da Camp Rock com os Jonas Brothers. Isso tudo parece ser incrível, afinal, quem não quer um pouco de fama e de sucesso – e dinheiro também ? Mas o fato é que não foi o sucesso que veio cedo. Vieram também as pressões, o contato com um mundo que seria muito melhor não ter conhecido. Vem o vazio também, as pessoas estão do seu lado porque gostam de você ou pelo que você pode proporcionar por causa da fama e do interesse que as pessoas tem em você ?

Quando eu paro pra pensar em famosos que tiveram problemas psicológicos, que surtaram de alguma forma eu penso que talvez isso aconteça porque nós não conseguimos enxergá-los como pessoas reais, que sentem dor, que sofrem… Tudo isso porque, na nossa cabeça, condição financeira compra saúde mental.

Demi Lovato e saúde mental

Eu sempre fui muito fã da Demi. Já até escrevi uma matéria pra uma Revista sobre ela, a matéria inclusive tá aqui no blog . 

No começo do blog também escrevi sobre ela aqui. Tudo isso porque pra mim ela sempre foi uma pessoa forte. Imagina só, uma menina que começou cedo uma carreira de sucesso passando pela adolescência – uma fase que nos questionamos quem somos, porquê e qual a nossa diferença no mundo – apegada ao pai que acaba escolhendo as drogas e bebidas no lugar da família? Imagina ainda uma adolescente de 17 anos que tem todos os olhos voltados pro seu corpo quando nem ela mesma se aceita? Imagina ter que ouvir: “Demi engordou. Da forma depreciativa como os tablóides de notícias fazem sendo que ela luta a vida inteira contra a bulimia nervosa?

O que nós não percebemos é que não importa quem somos, qual a posição social… Cada pessoa luta uma batalha que a gente não conhece. E saúde mental tem muito mais a ver com sentimentos internos do que externos. Não é sobre como as pessoas te vêm, é como você se vê e isso não tem a ver com outro. Por isso empatia muda o mundo. Quando paramos de julgar e passamos a abraçar as pessoas a percepção que elas tem delas mesmas, muda.

Deixo o documentário da Demi Lovato pra você entender um pouco mais sobre as batalhas e as lutas dela. É um documentário que fala sobre bulimia, transtorno bipolar, uso de drogas, abandono paterno, cobrança de perfeição. É realmente forte e pode mudar a sua percepção sobre os transtornos mentais.

 

Livro Eu não moro mais em mim da autora Gabrielle Soares Barbosa

Eu não moro mais em mim – LIVRO

Para conseguir a graduação de jornalismo eu precisava fazer um Trabalho de Conclusão de Curso como em toda faculdade. O fato é que eu queria e precisava que meu TCC fosse algo relevante pra mim e pro mundo. Eu precisava que fosse um trabalho social, porque o jornalismo é, antes de qualquer outra coisa um trabalho social a serviço do outro. O jornalismo nunca é para o jornalista, é sempre para o telespectador/ o ouvinte/ o leitor. Jornalismo é sempre para a sociedade e sempre sobre a sociedade.

Transtorno alimentar

Segura de que eu queria e precisava fazer algo social me senti na responsabilidade de olhar ao meu redor e tentar enxergar o que, de certa forma, ninguém conseguia ver ou ainda que tinha dificuldade de falar.

Sempre fui apaixonada por moda e quando estava no Ensino Médio uma das minhas melhores amigas teve anorexia. Na mesma época, uma garota que era enaltecida nas redes socais pela sua magreza morreu em decorrência da anorexia. Me lembrei que na época tudo aquilo havia mexido muito comigo. Pensei: pronto! Poucas pessoas falavam sobre esse assunto e seria um tema relevante pra sociedade.

No meu terceiro ano de faculdade comecei meu estudos sobre o tema. Por gostar de moda minha ideia principal era falar dos transtornos alimentares das modelos. Elas são extremamente oprimidas pelos padrões exigidos nas passarelas. O que aconteceu é que meus estudos começaram a mostrar que muitas pessoas comuns sofriam de transtornos alimentares.  E por mais que esse assunto não fosse debatido, quando chegava a ser pauta era sempre sobre modelos. Ninguém sabia de pessoas normais. Pessoas que não tinham um padrão tão acirrado para conseguir trabalho e que mesmo assim sofriam profundamente com a busca pela magreza.

Eu não moro mais em mim

Era impossível fazer um vídeo sobre o tema. Geraria uma exposição para os entrevistados que não era o que eu queria. Além do mais, a escrita sempre teve muito mais a ver comigo do que os vídeos. Eu me expressava muito melhor escrevendo e então decidi que faria um livro reportagem sobre transtornos alimentares e padrões irreais de beleza.

O Eu não moro mais em mim demorou para chegar como título, na verdade, foi uma das últimas coisas a ser feita. Mas passa a reflexão que eu planejava: uma pessoa com transtorno alimentar é uma pessoa que deixou de morar no seu corpo. Casa é onde a gente se sente à vontade e essa pessoa não se reconhece mais nessa casa. Era um sofrimento absurdo sempre visto como uma fase que passaria em breve ou pura vaidade.

Entendi que meu papel seria difícil: mostrar que as doenças mentais são mais comuns que imaginamos e assim como um problema de coluna, precisam de tratamento. Era doença e não fase. Além disso tinha alto índice de morte.

O que eu espero

O que eu precisava agora era buscar as histórias que eu contaria e defini que cada personagem traria foco em um tema. Todo o processo de busca foi cuidados e me envolvi muitos com as pessoas que se tornaram meus amigos queridos. Muito além de tudo isso, não posso te contar ainda. Uma hora você irá saber mais. Eu espero que uma hora o Eu não moro mais em mim esteja nas suas mãos. Eu espero que uma hora o Eu não moro mais em mim esteja por toda parte. Mas quanto isso, podemos falar um pouco sobre ele por aqui! <3

Eu espero, de todo coração que um pouquinho do que escrevo aqui, te faça enxergar esse assunto de forma diferente e principalmente livre de preconceitos. Doenças mentais são doenças e tá tudo bem.

Peróla da Malhação e a mídia

No mês em que se comemora a luta pela conscientização pelos transtornos alimentares, voltamos pra esse assunto. Para contar a história da Pérola da Malhação eu ainda preciso voltar a outro ponto importante do assunto.
Bom, primeiro, como eu já falei, dia 2 de junho é comemorado o Dia Mundial de conscientização sobre os transtornos alimentares – e falar disso será importante nesse post.

No geral as pessoas acham que sabem o que é um transtorno alimentar (” – quando a pessoa não come, né? – quando come e vomita, né?”) mas a verdade é que existe um mundo muito mais complexo que isso. Primeiro de tudo: existe um mundo por trás das doenças mentais. De certa forma, quando fala-se sobre transtornos alimentares as pessoas relacionam a frescura, uma fase que logo vai passar, ou até mesmo é associado a vaidade. E como já expliquei algumas vezes nesse blog, os transtornos alimentares são disfunções na relação com a comida. Sào alterações na forma do comportamento alimentar e também na percepção corporal.

Causa surpresa dizer que a anorexia nervosa é a mais letal das doenças psiquiátricas, até mais danosa que a depressão e com prejuízo de vida que equivale à esquizofrenia. Existem pessoas com bulimia que não vomitam. E ainda que a busca por um corpo saudável pode gerar transtornos alimentares como a ortorexia ou a vigorexia.

No final das contas o que se percebe é que as pessoas entendem muito pouco sobre os transtornos alimentares. E as que entendem, ainda estão presas ao senso comum e aos preconceitos enraizados ao falar de doenças mentais.

Por que falar tudo isso? Porque eu acho sempre necessário fornecer um pouco de informação sobre transtornos alimentares e o quanto essas doenças são letais. E a maneira como falam da história da Pérola da Malhação nos faz analisar um pouco mais a maneira como é visto as doenças mentais.

A história da Pérola da Malhação

É importantíssimo falarmos sobre esse assunto na mídia. É importante promover o debate sobre todas as doenças mentais e quebrar os paradigmas que as envolvem. O que acontece é que pra isso é necessário MUITO cuidado e responsabilidade. Algo que não me parece que aconteceu nessa edição da novela. Eu não sou especialista no assunto. Mas se você me conhece ou leu a aba Transtorno Alimentar do blog, percebeu que eu tento estudar um pouco sobre isso e por isso, acabei me envolvendo muito com o assunto.

O fato é que pra fazer meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo escrevi o livro “Eu não moro mais em mim – relatos sobre transtornos alimentares e padrões irreais.” E nesse processo o meu maior medo não era saber se eu conseguiria ou não terminar o trabalho mas sim, se ele geraria gatilho. E essa, inclusive foi uma pergunta que eu fiz para Daiana Garbin quando ela veio ao Flipoços. A Daiana e os especialistas que estavam no bate-papo me responderam que a única maneira era “não ensinando práticas”. Então, esse é um dos maiores cuidados que tenho ao falar do assunto.

Malhação tem um tratamento do tema muito parecido com 13 Reasons Why ( confira motivos para não assistir) , a série que fala sobre suicídio. O que acontece é que os dois programas geram gatilho, ensinam métodos e podem fazer com que o problema tome uma proporção maior. Há algum tempo uma novela da Globo retratou a história de uma bailarina que tinha bulimia. E a forma como a novela abordou a história fez com que o registro de pessoas com bulimia aumentasse muito. Ou seja, ensinou métodos e fez com que pessoas que já tinham propensão – seja genética ou biológica – desenvolvessem a doença como a Pérola da Malhação.

Problemas da novela

O problema dessa Malhação em tratar o tema não é só o de ensinar métodos. Ela também mostra a doença como solução.

A história da Pérola e seu problema com o corpo é muito pouco explorado até que ela tenha as crises mais graves de anorexia. Com isso, passa a ideia de que ela estava tendo esse problema naquela fase. Era uma fase e logo passaria. Muitas pessoas podem achar que de fato chegou a ser explorado esse assunto, já que no primeiro capítulo da novela a menina está desmaiada após tomar muitos remédios e seu então namorado diz que ela tinha problemas com o corpo. Quantos episódios abordaram de fato isso? Dois ? Três ?

Todo um vocabulário de um grupo de pessoas que se unem para viver a doença é exposto. Isso poderia ser bom, porque ajuda a alertar, mas ao mesmo tempo isso gera curiosidade e pra quem já busca uma “saída”pra um problema é muito perigoso.

Além disso, a novela não é NADA real. A anorexia nervosa é uma doença muito séria e ficar dias sem comer pode causar prejuízos muito sérios mas a novela dá um resultado imediato: quatro dias sem comer e você estará muito mais magra. Não é assim que funciona. O nosso organismo não reage dessa maneira e o emagrecimento é variável de corpo pra corpo. O fato é que a solução – que no caso é o emagrecimento – foi dada muito rápido. E isso pode fazer com que influencie pessoas a tentarem os métodos usados por ela, já que foram muito bem explicados e explícitos. O problema é que não é um caminho fácil de voltar. E por não chegar aos resultados de emagrecimento que a personagem chegou, a pessoas , agora munida de métodos, pode tentar por mais vezes e acabar doente.

Tratamento

O mais preocupante disso tudo: não mostra o tratamento. E de certa forma, ela melhora muito rápido. O tratamento pra transtorno alimentar, seja ele qual for, exige um tratamento de equipe multidisciplinar já que é necessário psicólogo, psiquiatra, nutricionista e muitas vezes outros médicos como cardiologista e endocrinologista entre outros por conta do dano causado ao corpo. Nada disso foi muito explicado. O que, mais uma vez, reforça a ideia de algo fácil tanto de resolver como de sair. O que é mentira.

Mas no final das contas esse é o reflexo que a mídia tem sobre esses problemas: falando é o que importa. Mas é preciso muito mais cuidado e atenção ao lidar com problemas psicológicos e metais. Exige responsabilidade e comprometimento.

É como ouvi sobre a série 13 Reasons Why: Se não é pra quem tem o problema porque gera gatilho mas também é perigoso pra quem não tem porque pode fazer com que a pessoa aprenda os métodos, no final das contas é pra quem?

A Pérola da Malhação assim como a Hannah de 13 Reasons Why são pessoas doentes. E assim como todo tratamento, precisariam passar por processos, processos longos e muitas vezes dolorosos. Talvez mais eficaz que falar sobre o tema seja cuidar para que ele não seja proliferado.

Mais que querer falar sobre transtornos alimentares na televisão talvez o interessante fosse dar mais espaço para garotas gordas, acima do peso ou com belezas diferentes do que estamos acostumados a ver nas televisões e nas séries. Imagina que revolução seria se todos os protagonistas fossem “pessoas reais”como a Rae de My Mad Fat Diary ?

 

Amor próprio: 05 coisas que você precisa saber

Hoje falamos muito sobre amor próprio e ao mesmo tempo somos cobrados constantemente a viver esse conceito. Ele é induzido quase goela abaixo. A verdade é que o caminho do amor próprio e autoestima é longo e demorado. Não aparece do dia para a noite. Mas ainda assim é um processo de libertação e todo processo de libertação é positivo. Nesse caminho você terá algumas lições:

01- Não é sobre como as pessoas te vêm, é sobre como você se vê

Muita gente fala: ” nossa, mas você é tão bonita (o), tem que se amar!”, o negócio é que amor próprio e principalmente autoestima não está ligado à forma que as pessoas te veem e sim, à maneira como VOCÊ se vê. Não está intimamente ligado a elogios mas sim em que, apesar dos elogios, você mesmo não se enxerga como as pessoas te enxergam e acaba se sentindo inferior, incapaz e despreparado a amar algo que não admira: você.

Dizer que uma pessoa é bonita pra ajudar na autoestima não resolve muita coisa. Melhor que olhar pro exterior é elogiar o interior de alguém que está no processo de autoaceitação. Provavelmente, ela vai achar que o elogio a beleza no geral é da boca pra fora – porque ela não enxerga da maneira que você enxerga – enquanto o elogio a algum feito vai ganhar um espaço especial.

02- Você não merece ser amado só se se amar primeiro

Escutamos muito por aí que só podemos ser amados quando nos amamos. Só encontraremos o amor da vida quando estivermos completamente bem e feliz sozinhos e com tudo que somos.

Mas o que acontece é que, ao falar isso pra uma pessoa com baixa autoestima, só reforçamos ainda mais dentro dela a ideia de que ela não merece amor. E ao mesmo tempo vamos contra todo discurso de amor que nos mostra que Deus nos ama apesar da nossa fraqueza. Ou só merecemos o amor Dele quando estamos completamente sarados e curados? Não! A Bíblia nos diz que Deus nos amou quando éramos ainda falhos, como diz em Romanos 5:8.

Se Deus – que é perfeito –  nos amou na nossa imperfeição, porque nós, imperfeitos não podemos amar outros tão imperfeitos quanto nós? 

Quando continuamos falando que só seremos amados quando nos amarmos estamos dizendo pro outro que é fácil, “SE AMA AÍ” e sabemos bem que não é assim.

03- Amor próprio não é egoismo. Mas não é fácil entender isso.

Outra coisa que repetimos por aí é que amor próprio não é egoísmo e tudo bem se escolher primeiro. Geralmente, quem tem problema com isso sabe de cor essas frases, o problema é aplicá-las.

Mesmo sabendo que deveria se amar primeiro a pessoa tem tanta dificuldade em fazer isso que não consegue. É simples e doloroso então não continue repetindo frases clichês: ela conhece todas, só não consegue aplicar.

04- Baixa autoestima é reflexo da busca pela perfeição

A baixa autoestima está intimamente ligada à cobrança excessiva. Quando a pessoa se enxerga de maneira distorcida, na maioria dos casos é porque busca uma perfeição inalcançável e aí não falamos apenas da busca pela perfeição do corpo ( que pode gerar um transtorno alimentar) mas também em relação a tudo. A nunca se sentir completamente suficiente pra alguma coisa ou alguém. Seja suficientemente inteligente, engraçado ou qualquer outra coisa.

A busca pela perfeição – que não existe – faz com que a pessoa se cobre cada vez mais e se enxergue cada vez menos.

05- É um processo e tem recaídas

Entre as coisas mais difíceis de entender sobre processos é que eles tem altos e baixos. E levam tempo. A busca pela autoaceitação e autoestima são processos que exigem um passo de cada vez e por isso podem gerar recaídas. Recaídas apesar de dolorosas são boas e tudo bem acordar um dia mal.

Não somos robôs e não conseguimos programar nossas emoções. Mas, sobretudo, as recaídas nos fazem levantar de novo e essa é a maior beleza dos processos.

Autoestima e vida com Deus: o que tem a ver ?

Às vezes nós esquecemos que tudo, absolutamente tudo na nossa vida tem a ver com o propósito e com o plano perfeito que Deus tem pra nossa vida. Quando deixamos de pensar que até as coisas dificeis de lidar tem a ver com Deus, paramos de vê-lo em todas as coisas e quando isso acontece nos perdemos completamente do propósito de Deus.

Falo isso porque precisei aprender que todo meu problema com ansiedade e autoestima tem a ver com o chamado que Deus tinha pra mim. Como algo ruim que tinha em mim poderia ser fruto de algo bom ? Bem, porque Paulo quando olha pra sua ferida e vê um espinho não está falando só dele, mas de todos nós. São as nossas feridas porque delas saem poder pra curar. Como podemos falar com propriedade sobre drogas se nunca estivemos perto delas? Como as pessoas que usam droga verão em nós uma chance de mudança de vida sendo que a nossa vida não foi mudada por esse propósito?

Por isso toda pessoa é única e tem suas próprias batalhas, lutas e feridas que geram curas. Só precisamos descobrir quais feridas tem o propósito de gerar vida, em nós e nos que nos cercam.

Chamado específico: um apelo de autoestima ( em todos os sentidos)

Quando comecei a ter uma vida de profundidade com Deus, comecei a buscar por influenciadores que pudessem me ajudar. Comecei a achar pessoas que falavam sobre “chamado específico” e aquilo realmente mexeu muito comigo. Eu comecei a ver que Deus tinha não só um chamado geral que se aplicava pra todas as pessoas ( o chamado do IDE de Marcos 16:15 .) Mas, além e mais profundo que isso < se é que é possível porque o Ide torna todas as pessoas aptas pra cumprir um chamado de Deus >, Ele tinha um chamado específico pra vida de cada um. Esse chamado específico nos mostra que cada pessoa é feita para algo e só ela ( da maneira que ela pode fazer, só ela) pode cumprir aquele chamado.

Isso PRECISA mexeu com o nosso interior e precisa gerar uma busca por conhecer o chamado específico. Imagina quantas pessoas morreram sabendo que tinham propósito mas que pensavam que era um propósito geral, que nunca tinha sido pensado de acordo com as peculiaridades da própria pessoa? Imagina quantas pessoas morreram sem saber que das feridas dela sairiam poder pra curar?

Porque isso gera em nós um apelo de autoestima? Porque nos mostra com clareza que somos únicos. Nenhum outro pode fazer o chamado específico que foi direcionado a nós. NENHUM OUTRO SER HUMANO PODE CUMPRIR O NOSSO CHAMADO ESPECÍFICO. E isso nos torna importantes apesar de sermos pó.

Mas qual o meu chamado específico?

Eu tenho que te contar que meu chamado específico eu descobri em um dos períodos de mais questionamento da minha fé. Em um momento que eu não acreditava no meu valor, apesar de ouvir e pregar sobre o quanto somos importantes para o Pai. Nesse momento comecei a falar pra Deus que, se Ele realmente tivesse um chamado específico pra minha vida, esse era o momento que eu precisava descobri. E bem aventurados são os que buscam respostas em Deus porque eles serão respondidos. E eu fui.

Deus me mostrou com clareza que eu já estava no meu processo de viver meu chamado específico. Deus me mostrou que um dos maiores problemas que eu tinha era de autoestima. Sempre me cobrei excessivamente e aquilo sempre foi (  e é, porque vivemos em um processo constante de evolução e entendimento) uma das coisas que mais me feriram. Mas será que só eu vivia assim ? Obviamente que não. E isso eu comecei a ver não só com o livro que eu escrevi, mas porque Deus sempre dá um jeito de trazer pra perto de nós as pessoas que irão nos ajudar mas que também iremos ajudar.

Coisas maiores

Deus trabalha pra que possamos trabalhar com nosso chamado em todo lugar e uma das formas de Deus trabalhar é colocando as pessoas que precisam da cura que agora nós sabemos que podemos gerar. Falar que nós geramos cura não é anular o poder de Deus porque é em nome Dele que fazemos todas as coisas e além disso porque Jesus falou que faríamos coisas maiores que Ele fez. ( UAU João 14:12)

Por isso devemos buscar as coisas que Jesus tem pra fazer sem nos contentarmos com o que Ele já fez. Eu, quando entendi que meu chamado era sobre autoestima e a relação dos transtornos alimentares, eu entendi que meu propósito era ainda maior que pregar sobre Jesus, mas era ajudar as pessoas a se enxergarem como Ele enxerga: tão únicos a ponto de direcionar uma missão que só a própria pessoa pode cumprir.

Isso me torna uma pessoa sem problemas de autoestima? Não. Mas isso me torna alguém que, de tanto querer buscar um melhor caminho também quer oferecer um melhor caminho!

Transtorno alimentar: será que eu tenho?

A primeira coisa que precisamos explicar é: você realmente sabe o que é transtorno alimentar?

Talvez pra você distúrbio alimentar seja gracinha de umas meninas magras que querem ficar mais magras ainda. Mas não, isso não é transtorno alimentar. Transtornos alimentares são doenças mentais que fazem pessoas terem uma distorção de sua própria imagem. Uma distorção tão grande que as fazem odiar tanto seu próprio corpo a ponto de puní-lo de alguma forma.

Seja parando de comer (anorexia), ou seja colocando a comida pra fora através de vômitos autoinduzidos, medicamentos, diuréticos, enfim (bulimia), os transtornos alimentares são marcados pela insatisfação corporal profunda e a má relação com a comida. Mas são uma complexa ligação de diversos fatores, sejam sociais, biológicos ou psicológicos. 

Como perceber se você tem um transtorno alimentar

O primeiro passo é se perceber. Quanto a sua preocupa com seu peso, seu corpo ou sua alimentação te impedem de fazer tarefas do dia a dia, sair de casa e todas essas coisas? Se isso estiver te paralisando, deprimindo e te fazendo ficar isolado é hora de procurar ajuda.

Outra coisa importante é nunca se autosabotar e se autodiagnosticar. Nós só conseguimos saber se realmente temos alguma doença  um problema, quando procuramos ajuda especializada. Assim como é normal procurar um médico quando se está com dor de cabeça, tudo bem procurar um psicólogo quando o problema é uma doença mental. As doenças mentais podem causar danos muito mais graves que as doenças físicas.  Por isso é importante quebrar aquele tabu que as pessoas tem com psicólogos, psiquiatras e todo esse tratamento terapêutico. É impossível salvar a saúde física quando a mental não está em dia.

Má relação com a comida

Um dos primeiros sinais que você tem um problema alimentar é uma má relação com a comida. A má relação com os alimentos começa com pequenos sinais: restrição por medo de engordar, culpa depois de comer, muito medo de engordar principalmente por contas de alguns alimentos como doces, carboidratos e frituras.

Isso porque em uma construção social nada boa, as pessoas impõem que comer esses alimentos “engorda”. Na verdade uma pessoa precisa de cerca de 7 mil calorias a mais do que o que ela come normalmente em um dia pra engordar. Os alimentos não tem nenhum poder “engordativo”.  Nosso próprio corpo se encarrega da metabolização e da queima de caloria com coisas do dia a dia. Se isso começa a ser um problema pra você, te impede de sair de casa e fazer coisas básicas da sua rotina como simplesmente levantar da cama, é hora de buscar ajuda!

Se tiver dúvidas, procure ajuda!

Os transtornos alimentares podem ser doenças muito sérias e exigem muito cuidado apesar de ainda terem um espaço muito pequeno na mídia. Se você acha que sua relação com a comida e com o corpo é muito conturbada e isso tem afetado a sua vida, procure ajuda! Em quase todas as faculdades que oferecem o curso de psicologia os atendimentos são gratuitos ou de valor simbólico. Eu não pretendo me calar sobre assunto e acredito que, quanto mais falarmos sobre isso, mais chances de busca por tratamento e cura teremos. Então, estamos juntos nessa jornada!

Quando conheci Daiana Garbin

Lembro-me com clareza quando comecei minhas primeiras tentativas de contato com a Daiana. Comecei a mandar várias mensagens no Instagram, no auge da minha ansiedade por resposta. Pra minha surpresa alguns dias depois ela respondeu pra que eu mandasse um e-mail, assim era mais fácil pra que a gente pudesse conversar.

Mandei um e-mail explicando que eu estava fazendo como TCC um livro-reportagem sobre transtornos alimentares e queria ter uma entrevista dela no meu trabalho. É claro que a espera pela resposta quase matou! Mas permaneci firme e dias depois tive minha resposta: Daiana estava me mandando o endereço de seu escritório em São Paulo pra que a gente pudesse conversar. Desde aquele momento, meu coração já estava disparado. Nosso encontro seria dali alguns dias.

Daiana Garbin representava uma força a mais para o trabalho que eu estava fazendo. Desde que comecei minhas pesquisas, uma das primeiras pessoas que achei na internet como influenciadora sobre o assunto, foi ela. Eu me inspirava nela. Ela era jornalista e eu estava me esforçando para também me tornar uma.

Chegando em São Paulo

Eu planejei tudo: chegaria a São Paulo, pegaria dois metrôs, um Uber e estaria no prédio do escritório dela. No final das contas, consegui uma carona e acabei chegando muito mais cedo que imaginava e acabei indo para o shopping para passar um pouco do tempo e para tomar um café que pudesse conter toda minha ansiedade. Preciso confessar que o café não deu conta de cumprir essa função e que cada vez que eu olhava no relógio meu coração batia ainda mais rápido – coisa que eu achava não ser mais possível…

Não posso negar que eu estava com medo: medo de me enrolar toda e não conseguir fazer as perguntas que eu precisava para produzir um capítulo inteiro do meu livro, medo de que as perguntas não fossem assim tão interessantes, medo de que ela fosse seria e respondesse muito brevemente as questões, medo de milhares de coisas… Mas eu ia com medo mesmo. Isso já havia sido decidido antes que eu saísse da minha cidade.

Como o shopping era pertinho do prédio de seu escritório, resolvi pedir meu uber pra chegar até lá meia hora antes. Era tempo de sobra, já que em São Paulo o carro não demora nem 5 minutos para estar na sua parada. Doce ilusão! Meu uber estava perto mas não sei o que arrumou e começou a ficar cada vez mais distante do ponto que eu estava, me deixando ainda mais nervosa. Precisei cancelar aquele pedido e refazer. O meu motorista chegou bem rápido mas até aí tínhamos 10 minutos para que eu chegasse pontualmente no lugar e no transito de São Paulo, não era uma tarefa muito fácil.

No percurso – e auge da minha amiga tão grudada, ansiedade – contei toda história do meu TCC para o motorista do uber, falei que estava indo entrevistar a Daiana Garbin, que estava me formando em jornalismo… Naqueles minutos, mesmo sem me fazer uma pergunta o rapaz soube de toda minha vida profissional. (Aquele grande beijo pra ansiedade que não deixa a gente ficar quieta.) Alguns minutos depois, estávamos no endereço procurado. O rapaz me desejou boa sorte, sucesso e eu dei nota 5 para ele só por ter me aturado com um sorriso no rosto e desci do carro.

Entrei no prédio, fui até a recepção e avisei que estava indo no escritório da Daiana. A moça pediu minha identidade para ter certeza que eu era a Gabrielle que estava autorizada a subir. No elevador liguei o gravador porque sabia que estaria nervosa demais- na verdade já estava- para me lembrar disso.

O encontro com Daiana Garbin

A porta do elevador abriu e eu andei alguns passos até chegar na porta que deveria. Toquei a campainha. Daiana Garbin abriu a porta com um sorriso tão grande e me abraçou forte. Bom, naquele momento não senti mais medo. Ela disse que meu cabelo era bonito e eu falei que ela era maravilhosa. Ela deu um sorriso e perguntou se eu aceitava um café. “Ora Daiana, miga querida, eu nunca recuso um café”, foi o que eu pensei mas só dei um sorriso e respondi que aceitaria.

Daiana me perguntou se eu era da cidade que tinha um doce de leite gostoso, eu respondi que sim e disse que da próxima vez levaria um pra ela.

Tivemos uma longa conversa de quase duas horas, suficientemente completa e rica em detalhes para que eu pudesse escrever o capítulo do  meu livro. Dividi coisas íntimas e acredito que ela também tenha me contado coisas com o coração. Agora espero ansiosamente para o dia do nosso segundo encontro: na Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas. Dessa vez, nós duas teremos um livro: eu estarei com o dela e ela ganhará um meu. Momentos assim enchem o nosso coração de coisas boas! A palavra que fica é sempre gratidão. Me sinto grata por viver experiências que só o jornalismo pode proporcionar!

 

Se dê conta: transtornos alimentares

“GENTA promove há 14 anos a Semana de Conscientização sobre transtornos alimentares e obesidade”

Ontem começou mais uma campanha nacional de prevenção dos transtornos alimentares : Semana Se Dê conta 2018!

Esse movimento de conscientização é organizado desde 2004 pelo GENTA, que é o Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares, e tem o objetivo de orientar a população sobre os malefícios dos transtornos alimentares e obesidade. A campanha “Se dê conta” é lançada depois da semana de conscientização liderada pela NEDA- Associação Nacional de Transtornos Alimentares dos Estados Unidos.

Esse período é uma mobilização para alertar sobre a seriedade dos transtornos alimentares e seus fatores de risco e também para debater temas pertinentes da área. Esse ano os temas em destaque são:

– Ditadura da beleza e práticas das dietas.

– Obsessão cultural pelo corpo “perfeito”.

– Estigma da obesidade.

– Alimentação, saúde, beleza e bem-estar.

– Influência da mídia e da cultura na insatisfação corporal, autoaceitação e autoestima.

Para realizar esse trabalho o GENTA promove palestras, workshops, cursos e campanhas nas redes sociais com o objetivo de promover a autoaceitação de diversos tamanhos e formas corporais, contribuindo para a melhora da autoestima e a diminuição do estigma contra a obesidade, além de alertar sobre os perigos da alimentação inadequada. No site deles é possível baixar gratuitamente um material para uso educativo e de orientação sobre os transtornos alimentares.

GENTA- GRUPO ESPECIALIZADO EM NUTRIÇÃO E TRANSTORNOS ALIMENTARES 

O GENTA é formado por um grupo de profissionais que há quase 20 anos compartilha saberes sobre transtornos alimentares, obesidade e insatisfação corporal. Tem missão de estudar, pesquisar, avaliar e discutir formas de tratar e prevenir os TAs e obesidade. A equipe é formada por nutricionistas e profissionais de educação física. Eles têm diversos livros, artigos científicos e campanhas para promover o conhecimento sobre os transtornos alimentares, obesidade e boa relação com o corpo e saúde. 

Uma carta à Veja

Querida Veja,

Revista Veja, venho por meio deste texto ajudá-la a perceber seus erros na matéria “Jovens usam códigos para promover a anorexia na rede”. Como jornalista e estudiosa sobre transtornos alimentares me sinto obrigada a falar sobre isso.

O primeiro ponto que devemos tratar é que, eu sei que não é comum falar sobre transtornos alimentares. Problemas mentais em geral são difíceis de serem abordados  e por isso, exigem estudos ainda mais aprofundados sobre eles. É preciso conhecer sobre transtornos alimentares e entender o que são a anorexia e a bulimia, foco da matéria. Bulimia não é só vomitar depois das refeições. Mas sim, qualquer ato purgatório com o intuito de eliminar o alimento do seu corpo por causa da culpa. Existem outros métodos além do vômito e são tão sérios e graves quanto.

Outra coisa, a exposição das hashtags dessa maneira pode gerar curiosidade, busca e acabar com meninas e meninos (porque eles também existem) que já tem algum problema com a autoimagem, desenvolvendo algum transtorno alimentar. ( Que também não se resumem em anorexia e bulimia.)

Último recado

O que escolhi deixar por último porque foi o maior caso de irresponsabilidade que encontrei na matéria foi o fato de MENCIONAR o nome do remédio que é o mais usado para o emagrecimento. Vamos falar sobre ele… É um remédio usado para bronquite mas que acelera o metabolismo e faz que aconteça a perca de peso. Além da irresponsabilidade de colocar o nome do remédio – em evidência duas vezes – ainda foi colocado um print que mostra com clareza onde comprá-lo e o preço. Ah, acho importante falar que esse remédio deveria ter a venda proibida porque tem uma lista gigantesca de contraindicação, sintomas e tem grande risco de causar parada cardíaca.

Que incrível, querida Veja! Facilitando a vida de quem não conhecia e queria comprar mas não sabia onde, hein? Olha, eu sei que é difícil falar sobre transtornos alimentares e não gerar gatilho, incentivo ou fornecer dicas mesmo que sem intenção… Mas o que se vê nessa matéria é praticamente um tutorial de como não expor a doença. Esse, definitivamente, não é o caminho para colocar o assunto em pauta!