Livro Eu não moro mais em mim da autora Gabrielle Soares Barbosa

PREFÁCIO – Eu não moro mais em mim

Por toda vida convivi com meninas e meninos insatisfeitos com seus reflexos no espelho. Eu mesma nunca me senti totalmente à vontade com a imagem que via. Na adolescência, passei e dividi conflitos internos sobre meu corpo e a vontade de mudá-lo. Vi uma das minhas melhores amigas travar uma batalha contra a anorexia. Com estudos percebi que os transtornos alimentares são mais comuns do que ousamos imaginar.

Lembro-me de achar que eu não me encaixava nos padrões de beleza por não ser alta ou magra o suficiente. Lembro-me de amigas fazendo dietas malucas. Mas isso tudo parecia normal, o estranho mesmo sempre foi achar alguém que gostasse do seu corpo e que o achasse totalmente adequado, sem o sonho de mudar uma coisinha aqui e outra ali, emagrecer alguns quilinhos…

Lembro-me de ler uma notícia que contava o caso de Daiana Dornelles, uma jovem de 21 anos que morreu por complicações da anorexia e que era incentivada a manter seu peso muito baixo nas redes sociais. Sobretudo, lembro-me de que as notícias que chegavam até mim sobre casos de transtorno alimentar eram predominantemente em modelos, principalmente em garotas.

Me parecia tão raros que por isso achava ter tão pouca atenção midiática. Mas a verdade é que a magreza vende. O que vemos nas revistas e na televisão se distancia rapidamente de representar mulheres e homens da vida real. Estão longe das mulheres que comem fora da dieta porque precisam trabalhar, estudar, viver… Os homens da capa de revista são aqueles que não falham nenhum dia na academia. Fazer exercícios físicos não é o problema, mas fazer de um corpo sarado o único aceitável é. Ditar regra para classificar o que é bonito ou não, é o problema.

O que eu pensava até começar esse livro é que os transtornos alimentares eram causados apenas pela busca obsessiva pela magreza. Descobri que isso é uma mentira. Os transtornos alimentares vêm de sentimentos guardados, sufocantes, que se expelem em forma de ódio ao próprio corpo. São fruto de traumas tão fortes e de medos tão grandes que geram a necessidade de sumir, estar cada vez menor para quem sabe, desaparecer.

Vivi dias intensos, conhecendo pessoas maravilhosas, profissionais que acreditam no que fazem, tendo diálogos que mudaram muito mais a minha vida do que eu poderia imaginar. A cada relato, a cada segredo confessado me sentia ainda mais obrigada a falar sobre os transtornos alimentares. Sentia-me cada vez mais obrigada a mostrar que doenças psíquicas levam à morte e que nós precisamos parar de cooperar para que o sentimento da não aceitação brote no coração do outro.

Se você se identificar com esse livro e achar que tem hábitos parecidos com os relatos citados aqui, busque ajuda! Você não precisa viver nesse emaranhado de sentimentos que te torna tão menos você. Não deixe que sua doença te de-fina. Não deixe que ela te diga quem você é. É hora de começarmos a falar sobre isso, é hora de nos responsabilizarmos pela mania chata e destrutiva que temos de comentar sobre o peso do outro. Nosso corpo não nos define. Você precisa voltar a morar no seu corpo e aceitar a sua beleza real, com cicatrizes, imperfeições e ter paz com o espelho. Lembre-se: os padrões não te definem!

Não olhe pra trás com raiva

Eu nem sei quantas vezes olhei pra trás e achei que tinha passado coisas que não precisava. Que algumas pessoas me machucaram sem ter um motivo e que não precisaria ser do jeito que foi. Eu não sei quantas vezes olhei pra trás com raiva. Raiva do que havia sido, do que nunca foi e de tudo que eu queria que tivesse acontecido mas não permiti ou não consegui realizar. Raiva das dores, dos amores perdidos, das amizades que não eram bem amizades. Das coisas que, ao longo da vida, a gente vai deixando pra trás. Olhei muitas vezes com raiva. E de certo modo questionando o porquê das coisas.

Ouvindo, por umas milhões de vezes  a música do Oasis – Don’t look back in anger   comecei a pensar que as vezes a vida é viver e não olhar pra trás com raiva. Esperando as quedas, porque sem elas não há sinal de que estamos subindo e subir significa evoluir. Evoluir significa entender que mesmo caindo ainda há um caminho pela frente. E a vida é feita de riscos. Arriscar é importante e se machucar é buscar a cura. Quando olhamos pra tudo que enfrentamos na vida – e eu só tenho 23 anos então não posso dar aquelas lições de moral porque há muito a ser vivido ainda – e percebemos que “ok, isso me faz quem eu sou”, as feridas se tornam cicatrizes. As cicatrizes se tornam empatia por quem passa pelas mesmas batalhas.

Já pensou que talvez tudo que você passa é pra que mais frente tenha a oportunidade de mudar completa e definitivamente a vida de alguém com o seu testemunho?

Então não olhe pra trás com raiva

Tudo faz parte da construção de quem você é! E é importante pra te fazer mais forte e maduro. Mas imagina se não tivesse vivido essas coisas e continuasse sendo aquela pessoas imatura de antes das tormentas?

Quando digo para que não olhe pra trás com raiva não digo para que olhe para essas experiências como algo bom. Nem sempre é possível que as tormentas se tornem algo lindo. Mas digo pra você olhar para quem se tornou depois delas. Por mais que elas tenham sido ruins e difíceis e por mais que, ainda hoje, você optaria por não enfrentá-las se pudesse. Tá tudo bem não entender o que se passa e querer não passar. O fato é que você não pode carregar raiva pelo que passou em você.

Lição de Paulo

Paulo diz em Coríntios que tinha um espinho na carne, uma ferida. Isso não era algo bom e nem algo que ele gostaria de passar. Mas entendeu que precisava daquilo para que o seu ego não fosse inflamado e ouve do Senhor:

Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
2 Coríntios 12:9

Que loucura a de Paulo! Se gloriar de suas fraquezas! Mas é porque nesse momento ele entende que só sendo humano e enxergando as próprias fraquezas é que o poder de Deus se aperfeiçoa em nós. Então não olhe pra trás com raiva! Faz parte do plano perfeito de Deus para que você enxergue a Sua infinita graça!

Hoje queria te fazer um convite a abraçar todos os momentos de quedas e de sofrimento. Olhar pra eles sem raiva e sim como uma oportunidade de florescer em meio ao caos. Uma flor é linda na natureza, em uma floresta. Mas é muito mais admirada quando nasce em meio ao asfalto, na bagunça da cidade grande. Assim somos nós ao passarmos pelas lutas. Floresça até onde não há espaço. Há sempre beleza em tudo!

Mulher descansando para desacelerar

Desacelerar é preciso para seguir

Sabia que às vezes é preciso desacelerar? Eu costumo dizer que não há nada de ruim com a solidão quando ela se transforma em solitude. Não há nada de errado em ficar sozinho, respirar fundo pra tomar impulso pra enfrentar o mundo de novo. Eu sei que não é fácil estar nesse mundo e que tem horas que a gente acha que não tem mais o que fazer. Nosso coração não aguenta mais, acabou, já era!

Eu nem sei dizer quantos momentos achei que meu coração não aguentaria bombear mais sangue ao resto do corpo. Ou que meus pulmões não conseguiriam puxar o ar pela última vez. Mas eu aprendi que em todos esses momentos eu precisaria desacelerar, respirar e colocar meu coração nas mãos de Deus. Porque na maioria das vezes, se é por nós não conseguindo mas se é por Deus, nada pode nos impedir, nem nós mesmos! (Isaías 43:13)

Desacelerar pra ouvir a Deus

É impossível ouvir as coisas de Deus quando nosso eu humano, carnal, frágil e abalável está gritando. Isso porque, no meio das grandes tempestades temos mania de deixá-lo com mais liberdade. Mas quando Ele tem espaço, Deus não consegue tomar as rédeas da situação. Não porque Ele não pode, mas porque Ele te dá escolhas de orar na cova dos leões e esperar Seu socorro ou se desesperar e ser devorado. E quantas vezes escolhemos ser devorados sendo que poderíamos ter socorro, hein?

Algumas coisas nessa vida exigem tempo e calma. (E oração sempre!) Mas é possível que você só consiga sair do meio da cova dos leões se estiver com o coração entregue e tranquilo. Paz que excede entendimento sabe? Porque as vezes é preciso desacelerar para enxergar que Deus ainda está ali. É preciso se conhecer em profundidade para não deixar que os leões e provações e tempestade dessa vida te abalem – aliás, você não é daqui.

Solitude e solidão

Desacelerar é ter solitude pra resolver e deixar Deus agir em cada dia, em cada tempestade, em cada ferida e em cada cura da sua vida. Solidão pode ser ruim. Pode te deixar triste, pode fazer com que você se sinta sozinho, mas solitude não. Solitude fará com que você desacelere a ponto de mergulhar no seu profundo e por fim no profundo de Deus. Você é criatura projetada por Ele então toda vez que se achar, achará Ele também, vocês são UM.

Não tenha medo da solitude e não se perca na solidão. Mas entenda que Deus precisa trabalhar no silêncio, no silêncio de quem quer ouvir as respostas Dele. Em uma conversa, quando há muito barulho você não consegue ouvir o que seu amigo diz, e com Deus é assim também. As vezes, não é que Ele não está falando, é você que está tão dentro da sua confusão que não consegue ouví-lo.

Porque Ele sempre está ali. E Ele sempre estará. Mas você escolhe ouvir a voz de Deus ou a bagunça da sua cabeça. Porque nós somos uma eterna bagunça. E só desacelerando é que conseguimos ouvir as palavras de amor e de exortação que Deus tem pra nós. E quem é você em meio a cova dos leões, o que ora ou o que já espera ser devorado?

Mulher no meio das flores com paz que excede entendimento

Paz que excede entendimento

É engraçado como é a vida quando caminhamos por fé e em conhecer a palavra de Deus. Depois de alguns anos tendo escolhido Jesus e andando por meio das promessas e verdades que Ele tem pra nossa vida, achamos que já sabemos o suficiente. Conhecemos as histórias da Bíblia e algumas, de tanto ouvir, sabemos contar de trás pra frente. Mas o problema é que quando vem a tribulação e o dia mau, questionamos sobre onde Deus está.

Aliás, o dia mau vem para todos, assim como veio para Jesus. O dia mau existe e muitas vezes chega até nós para amadurecimento e acaba não sendo de tudo mau. Quem seria você sem seus dias maus? Provavelmente muito mais imaturo do que hoje. Suas cicatrizes fazem de você quem você é, então, apesar da dor, você pode ter orgulho de cada uma delas.

O fato é que por acharmos que sabemos muito de Deus e que já vivemos o máximo que poderíamos ter vivido em Sua palavra e presença, achamos que temos o controle dos dias maus. Mas o conhecer a Deus vem da paz nos dias maus e de entender que não estamos isentos de passar por momentos ruins e tempos de sofrimento.

Paz que excede entendimento humano

Imagine só que no livro de Filipenses , Paulo escreve que a paz de Deus, que sobrepõe todo entendimento humano guardará o nosso coração e Provérbios 4:23 diz que sobre tudo que devemos guardar, precisamos guardar o nosso coração porque dele procede as fontes de vida.

Bom, se do nosso coração procede as fontes de vida e, a paz de Deus guarda o nosso coração, só temos vida quando temos a paz de Deus. Isso é bem mais complexo do que parece porque essa paz excede o entendimento humano, isto é, a olho humano não faz sentido nenhum. Afinal, quem estaria em paz em meio a tempestade? JESUS! Jesus estava em paz, Ele dormia. Já os discípulos se desesperavam com a tempestade do barco. Se precisamos ser mais parecidos com Jesus, precisamos também, desesperadamente, copiar suas atitudes.

Parece que só se conhece as verdades de Deus quando se busca a paz que excede entendimento. E é TODO entendimento. Entendimento que você tem sobre você e sobre as pessoas. Aliás, a paz só vem quando olhamos pra nós e não para o outro. Se o nosso foco é quem está do nosso lado, nos perdemos. Se continuarmos a leitura de Filipenses 4, veremos que existe um caminho para alcançar a paz que excede entendimento humano.

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.”
Filipenses 4:8

Alcançando a paz

A maneira de alcançar paz é olhando para as coisas que são dignas e excelentes. Essas coisas vêm do coração de Deus. Se baseiam em amar sem julgar porque a Bíblia diz que julgar é indesculpável – e se não há perdão, não há paz -. Se baseiam em olhar mais pra dentro do que pro lado: se falamos muito do outro é porque há faltas em nós. É manter o nosso coração longe das paixões da mocidade. E quando é dito isso não é apenas no sentido amoroso das coisas. É principalmente as coisas que somos apaixonados mas que roubam o nosso tempo e espaço com Deus. Também é estar mais tempo na internet do que com a Bíblia aberta. É falar mais dos outros do que de Deus. Quantas paixões da mocidade existem pra nos desviar do foco que é Cristo!

Paulo diz ainda sobre ser adaptável, ou seja, precisamos aprender a nos adaptar as circunstancias. Mas isso não é sobre permanecer nos dias maus, mas saber que há tempo de plantio e tempo de colheita como diz em Eclesiastes. Há tempo para todo propósito. Tempo para sorrir e tempo para chorar. E tudo bem, isso é parte do processo de transformação que Deus tem pra fazer.

Ainda para alcançar a paz que excede todo entendimento precisamos ser amáveis. Quando somos amáveis temos Deus e se temos Deus há paz em nós.

“Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor.”
Filipenses 4:5

Comece a andar sobre as águas

Disso tudo, sabemos que alcançar a paz é tão necessário quanto respirar. O mundo está buscando por ela em coisas e paixões da mocidade enquanto nós a temos dentro do nosso coração mas perecemos por falta de conhecimento. E falta de conhecimento da palavra de Deus como a Bíblia já nos alertou. Que o nosso coração possa olhar pras coisas do céu, pras coisas que são nobres, puras e retas e que possamos agir em amabilidade para assim a paz que excede entendimento seja constante em meio a tempestade e então possamos, antes de clamar desesperados por Jesus, encontrá-Lo e andar com Ele sobre as águas.

Demi Lovato cantando em show

Demi Lovato e saúde mental #PrayForDemi

A Demi Lovato é uma das maiores artistas da atualidade. Ela começou tudo muito cedo. Faz parte do elenco da Disney Channel desde que era uma criança, começou muito cedo a fazer sucesso como atriz e cantora sendo ainda uma criança de 8 anos. Estourou com 17 quando foi protagonista da Camp Rock com os Jonas Brothers. Isso tudo parece ser incrível, afinal, quem não quer um pouco de fama e de sucesso – e dinheiro também ? Mas o fato é que não foi o sucesso que veio cedo. Vieram também as pressões, o contato com um mundo que seria muito melhor não ter conhecido. Vem o vazio também, as pessoas estão do seu lado porque gostam de você ou pelo que você pode proporcionar por causa da fama e do interesse que as pessoas tem em você ?

Quando eu paro pra pensar em famosos que tiveram problemas psicológicos, que surtaram de alguma forma eu penso que talvez isso aconteça porque nós não conseguimos enxergá-los como pessoas reais, que sentem dor, que sofrem… Tudo isso porque, na nossa cabeça, condição financeira compra saúde mental.

Demi Lovato e saúde mental

Eu sempre fui muito fã da Demi. Já até escrevi uma matéria pra uma Revista sobre ela, a matéria inclusive tá aqui no blog . 

No começo do blog também escrevi sobre ela aqui. Tudo isso porque pra mim ela sempre foi uma pessoa forte. Imagina só, uma menina que começou cedo uma carreira de sucesso passando pela adolescência – uma fase que nos questionamos quem somos, porquê e qual a nossa diferença no mundo – apegada ao pai que acaba escolhendo as drogas e bebidas no lugar da família? Imagina ainda uma adolescente de 17 anos que tem todos os olhos voltados pro seu corpo quando nem ela mesma se aceita? Imagina ter que ouvir: “Demi engordou. Da forma depreciativa como os tablóides de notícias fazem sendo que ela luta a vida inteira contra a bulimia nervosa?

O que nós não percebemos é que não importa quem somos, qual a posição social… Cada pessoa luta uma batalha que a gente não conhece. E saúde mental tem muito mais a ver com sentimentos internos do que externos. Não é sobre como as pessoas te vêm, é como você se vê e isso não tem a ver com outro. Por isso empatia muda o mundo. Quando paramos de julgar e passamos a abraçar as pessoas a percepção que elas tem delas mesmas, muda.

Deixo o documentário da Demi Lovato pra você entender um pouco mais sobre as batalhas e as lutas dela. É um documentário que fala sobre bulimia, transtorno bipolar, uso de drogas, abandono paterno, cobrança de perfeição. É realmente forte e pode mudar a sua percepção sobre os transtornos mentais.

 

Não seja um semideus

Você já parou para pensar que é humano? E que ser humano implica em errar, em cair, levantar e em seu vulnerável? Você já parou pra pensar que não é Deus e muito menos semideus – quase Deus ?

Acho que um dos maiores erros que a gente comete na vida é querer ser um semideus. Explico: nós passamos grande parte da vida querendo mostrar que não sofremos, que somos fortes, que as coisas não nos afetam, que estamos no controle de tudo, que aceitamos totalmente todas as coisas. Somos semideuses né ?

Só que o problema é que isso te afasta de Jesus e mais ainda das pessoas. Se somos tão autossuficientes, não precisamos de ninguém por perto, inclusive de Deus.

Nós nos aproximamos de Deus e das pessoas quando somos vulneráveis. A vulnerabilidade nos permite ser cuidados, tratados e libertos. A vulnerabilidade é saber que não, nós não somos auto-suficientes e nós precisamos do outro sim pra viver. Nós precisamos de atenção, ajuda, empatia. NÓS PRECISAMOS.

Vulnerabilidade nos ensina a amar mais as pessoas por saber que cada um tem suas batalhas, nós temos as nossas e cada pessoa tem a sua, mesmo que a gente não saiba. Vulnerabilidade é se mostrar humano pro outro pra permitir que ele se mostre humano pra nós também. Ninguém nunca vai se abrir com você se você for um poço de certezas e nunca demostrar enfrentar batalhas. “É melhor não se abrir pra alguém que tem tudo tão resolvido, que é quase Deus”, as pessoas vão pensar. Vulnerabilidade é o único meio de gerarmos cura.

Não temos motivo pra ser semideus

Se na Bíblia tá escrito que o choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã é porque VAI TER CHORO. Não tem como se livrar disso, mas é preciso chorar. É preciso se permitir sofrer de vez em quando. Não para sempre, mas de vez em quando é preciso sofrer. E tudo bem chorar de vez em quando, faz bem!

Deus nos fez pra ser humano, até Jesus, que era o próprio Deus em corpo de humano passou por aflições, chorou, perguntou pra Deus se tudo aquilo era preciso mesmo, se Ele teria realmente que passar toda aquela dor, aquela angustia e humilhação. Jesus foi humano. Porque nos vemos como semideus? E sabe, tá tudo bem ter dias ruins. Tá tudo bem se questionar as vezes porque isso faz parte de todo processo. Todo processo é necessário ser vivido. Toda dor precisa ser sentida pra gerar cura.

O amor vem devagar o resto é pressa

O amor vem devagar o resto é pressa. É isso, só isso.

Se causa turbulência, se causa bagunça, confusão e você não sabe como agir não é amor, é carência. Amor nunca vem pra causar dúvida, ele é um tiro certo, uma faca com a cerra afiada, uma verdade absoluta – mesmo que toda verdade seja absoluta e não dê pra ser verdade pela metade. Mas acontece é que a vida tá cheia de pessoas pela metade, de meias verdades, meios amores e quase certezas. Isso não é amor, é pressa ou desespero.

Pressa de não dar tempo e desespero de nunca encontrar alguém que seja sua verdade absoluta. Mas só tem esse medo quem não sabe ser sua própria verdade, quando você sabe quem é não precisa de outro ser humano pra te validar como pessoa, como amor. Essas coisas aí, de ter pressa, de amores que bagunçam servem pra quem não sabe o que quer ou não quer nada por enquanto e na verdade, até quando a gente pode aceitar ser a meia verdade de alguém? Tudo que é pressa, uma hora acaba. Até quando a gente pode aceitar ser o passatempo até ter certeza de quem não sabe nem o que é ?

O amor vem devagar.

Porque antes de tudo o amor é paciente, é benigno. Antes de tudo, o amor se alegra com a verdade e sem ele nada é possível, o amor é a maior de todas as coisas. O amor vem devagar. O amor vem devagar porque vem aos poucos. Conquista seu espaço com o intuito de não ir embora – mesmo que um dia vá. E tá tudo bem! Não é só porque acabou que não era amor, algumas coisas tem tempo pra durar e a maturidade nos faz entender e aceitar o tempo de tudo.

O amor é como um copo de café. Só pode ser bom se for quente. Mas ao mesmo tempo, se consumido rápido demais, queima. O amor é como um café que, aos poucos vai deixando seu gosto e esquentando. O amor, meu amor, vem devagar! Todo resto é pressa.

mulher aflita segurando as mãos

Hoje eu acordei aflita

Hoje eu acordei aflita. Foi mais um daqueles dias que minha amiga ansiedade esteve por perto. Em um primeiro momento eu pensei: estar aflita não é coisa de Deus não, o que eu posso fazer pra mudar isso?

Em uma resposta de oração Deus me disse: Tudo bem estar aflita, é que você não é daqui e as coisas desse mundo te assustam. Você está com saudade de casa.

E eu respirei aliviada: ufa, que saudade de casa. Saudade do colo de Jesus, mesmo que eu ainda O tenha todos os dias. Mas tem dia que a nossa alma grita e fica aflita não é? Mas é porque ela está cansada das coisas rasas que esse mundo nos oferece e busca pela profundidade das coisas de Deus. A verdade é que não há como viver em alegria plena nessa Terra. Porque não somos daqui, é bem simples.

Não que Deus não possa entregar felicidade e tranquilidade pro nosso coração. Mas é que as injustiças e confusões desse mundo não podem ser normais pra quem não é daqui e não se corrompe com as confusões desse mundo.

Tem dia que você vai acordar aflita.

E tudo bem desde que isso te faça lembrar que você não é desse mundo. E quando falo isso quero dizer que teu lugar é o céu não as coisas vazias que encontramos nessa Terra. Seu lugar é ao lado do Pai da criação, em um ambiente de amor e comunhão. Não a bagunça que encontramos aqui. Essas coisas não deveriam nos atrair e é por isso que nossa alma se aflige. Porque nada aqui nos é atrativo. Nossa alma não pode buscar as coisas que aqui nos são oferecidas porque daqui nada levaremos.

Não é um erro de caráter estar aflita. Não é falta de fé a ansiedade. Tá tudo bem. Você, como humana com o coração mais próximo de Deus, nunca vai entender porque as pessoas se contentam com o raso, porque as pessoas não mergulham no profundo e porque pra elas molhar só os pés é suficiente. Em Deus, em sentimentos, em sonhos.

Você nunca vai entender porque as pessoas não vivem em plenitude os sentimentos, porque elas não são sinceras e claras e porque tudo é tão mais complicado que deveria realmente ser. Mas a Bíblia diz: não vos conformeis com esse mundo. Então não se conforme com tudo que é raso de amor e de Deus.

Tudo bem se afligir.

E se seu coração se afligir, entenda que é parte do processo e que tudo bem ser humano. Porque no final das contas é isso que somos: humanos. Com sentimentos bagunçados, com dúvidas e faltas que precisam ser preenchidas com o amor de Deus. Se tudo fosse muito bem resolvido dentro do nosso coração tomaríamos o lugar de Deus e não temos nenhuma capacidade pra passar nem perto disso. Então tudo bem ser humano. Tudo bem se afligir de vez em quando. Tudo bem não entender os processos e se questionar por eles. Tá tudo bem. Você não é de ferro, você é só um filho com saudade de casa.

Livro Eu não moro mais em mim da autora Gabrielle Soares Barbosa

Eu não moro mais em mim – LIVRO

Para conseguir a graduação de jornalismo eu precisava fazer um Trabalho de Conclusão de Curso como em toda faculdade. O fato é que eu queria e precisava que meu TCC fosse algo relevante pra mim e pro mundo. Eu precisava que fosse um trabalho social, porque o jornalismo é, antes de qualquer outra coisa um trabalho social a serviço do outro. O jornalismo nunca é para o jornalista, é sempre para o telespectador/ o ouvinte/ o leitor. Jornalismo é sempre para a sociedade e sempre sobre a sociedade.

Transtorno alimentar

Segura de que eu queria e precisava fazer algo social me senti na responsabilidade de olhar ao meu redor e tentar enxergar o que, de certa forma, ninguém conseguia ver ou ainda que tinha dificuldade de falar.

Sempre fui apaixonada por moda e quando estava no Ensino Médio uma das minhas melhores amigas teve anorexia. Na mesma época, uma garota que era enaltecida nas redes socais pela sua magreza morreu em decorrência da anorexia. Me lembrei que na época tudo aquilo havia mexido muito comigo. Pensei: pronto! Poucas pessoas falavam sobre esse assunto e seria um tema relevante pra sociedade.

No meu terceiro ano de faculdade comecei meu estudos sobre o tema. Por gostar de moda minha ideia principal era falar dos transtornos alimentares das modelos. Elas são extremamente oprimidas pelos padrões exigidos nas passarelas. O que aconteceu é que meus estudos começaram a mostrar que muitas pessoas comuns sofriam de transtornos alimentares.  E por mais que esse assunto não fosse debatido, quando chegava a ser pauta era sempre sobre modelos. Ninguém sabia de pessoas normais. Pessoas que não tinham um padrão tão acirrado para conseguir trabalho e que mesmo assim sofriam profundamente com a busca pela magreza.

Eu não moro mais em mim

Era impossível fazer um vídeo sobre o tema. Geraria uma exposição para os entrevistados que não era o que eu queria. Além do mais, a escrita sempre teve muito mais a ver comigo do que os vídeos. Eu me expressava muito melhor escrevendo e então decidi que faria um livro reportagem sobre transtornos alimentares e padrões irreais de beleza.

O Eu não moro mais em mim demorou para chegar como título, na verdade, foi uma das últimas coisas a ser feita. Mas passa a reflexão que eu planejava: uma pessoa com transtorno alimentar é uma pessoa que deixou de morar no seu corpo. Casa é onde a gente se sente à vontade e essa pessoa não se reconhece mais nessa casa. Era um sofrimento absurdo sempre visto como uma fase que passaria em breve ou pura vaidade.

Entendi que meu papel seria difícil: mostrar que as doenças mentais são mais comuns que imaginamos e assim como um problema de coluna, precisam de tratamento. Era doença e não fase. Além disso tinha alto índice de morte.

O que eu espero

O que eu precisava agora era buscar as histórias que eu contaria e defini que cada personagem traria foco em um tema. Todo o processo de busca foi cuidados e me envolvi muitos com as pessoas que se tornaram meus amigos queridos. Muito além de tudo isso, não posso te contar ainda. Uma hora você irá saber mais. Eu espero que uma hora o Eu não moro mais em mim esteja nas suas mãos. Eu espero que uma hora o Eu não moro mais em mim esteja por toda parte. Mas quanto isso, podemos falar um pouco sobre ele por aqui! <3

Eu espero, de todo coração que um pouquinho do que escrevo aqui, te faça enxergar esse assunto de forma diferente e principalmente livre de preconceitos. Doenças mentais são doenças e tá tudo bem.

Mulher grávida - aborto e Cristianismo

Aborto e Cristianismo: seja luz!

É extremamente difícil unir esses dois assuntos: aborto e Cristianismo. Isso porque, obviamente, um vai totalmente contra o outro. Porém, o fato importante não é sobre concordarmos ou não com isso, é sobre como nos posicionamos. O fato é que a nossa opinião sobre os assuntos polêmicos não consegue mudá-los. Além disso, dificilmente vamos conseguir argumentar usando fatos cristãos sendo que nossas palavras disseminam intolerância e ódio. Nunca importa o que você pensa sobre o assunto, sempre importa como você o aborda.

O que quero dizer com isso? Quero dizer a forma como impomos nossa opinião mostra muito mais o tipo de cristãos que somos e se realmente estamos preocupados em levar amor pelas nações. É como dizer que bandido bom é bandido morto sendo cristão. Não faz sentido. Porque nesse momento você olha pro pecado e não pra pessoa. E pensando assim, você também merece a morte, porque seus pecados são apenas diferentes.

Aborto e Cristianismo

Esse post não é pra dizer se deve ou não ser legalizado o aborto e qual a visão devemos ter como cristãos. Vai até além disso, sabe?

Vi muitas pessoas falando por aí que quem aborta merece a morte, e aí voltamos para aquele tempo em que se paga no olho por olho e dente por dente. Tudo bem, a sua revolta pode ser a de tirar a vida de um ser indefeso, o que importa aqui é que TODA VIDA É UMA VIDA. Assim como a da mãe. O pecado dela não é maior que o seu independente de qual tenha sido o dela e qual tenha sido o seu. Mas é sempre mais fácil julgar, não é ?

Provavelmente, essa mulher tinha motivos para optar pelo aborto. É o motivo correto? NÃO! Definitivamente NÃO! 

O ódio que eu dissemino volta pra mim

Sabe o que a Bíblia diz sobre julgar? Ela diz que é INDESCULPÁVEL.

1Portanto, és indesculpável, ó homem, sejas quem for, quando julgas, porque a ti mesmo te condenas em tudo aquilo que julgas no teu semelhante. Pois tu, que julgas, praticas exatamente as mesmas atitudes. 

2Mas nós sabemos que o julgamento de Deus é de acordo com a verdade contra os que praticam tais ações. 

3Deste modo, quando tu, um simples ser humano, os julga e, todavia, praticas os mesmos atos, pensas que de alguma forma escaparás ao juízo de Deus? 

4Ou, porventura, desprezas a imensa riqueza da bondade, tolerância e paciência, não percebendo que é a própria misericórdia de Deus que te conduz ao arrependimento? 

5Entretanto, por causa da tua teimosia e do teu coração insensível e que não se arrepende, acumulas ira sobre ti no dia da ira de Deus, quando se revelará plenamente o seu justo julgamento.

 6Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento.

Mas se você, que se diz cristão, dissemina ódio por essa pessoa por causa de suas escolhas, porque espera que o mundo não retribua com ódio também? O mundo é total um reflexo do que nós somos e se somos intolerantes não podemos cobrar do mundo mais tolerância. 

Se atente as suas palavras

Quando nos posicionamos sobre qualquer assunto precisamos nos posicionar em amor. É claro que é difícil falar sobre aborto e Cristianismo. Mas só conseguimos unir as duas coisas, se as nossas palavras forem de amor por todos os envolvidos. Nossa sociedade é injusta. E caso você não saiba não existe isso de “engravida quem quer”. Não que isso seja uma desculpa para abortar. Mas usar argumentos repletos de ódio e julgamento não resolvem em nada.  Além disso, eles não mudam absolutamente em nada a vida daquela mulher.

Quero te convidar a entender algumas coisas e quem sabe, olhar com mais amor também para esse assunto que envolve tanta polêmica:

Coisas que cortam o efeito do anticoncepcional: 

  • Usar remédios antibióticos.
  • Ter vômito ou diarreia.
  • Doenças ou alterações no Intestino.
  • Esquecer de tomar a pílula.
  • Consumir bebidas alcoólicas em excesso.
  • Tomar chás.
  • Consumir drogas.

Trouxe isso para mostra que nem sempre quem engravida é porque estava preparada para aquilo.  E também a maternidade não é uma escolha rápida, é para o resto da vida. Nada disso é para te fazer aceitar o aborto, porque aborto e Cristianismo dificilmente andarão juntos porém intolerância e Cristianismo também não andam. Seja diferente, fale com amor e menos ódio. Não há espaço para Jesus quando a intolerância e os julgamentos tomam conta do seu coração porque Ele é o contrário disso.

Te convido a olhar com mais amor pras pessoas e por mais que não concorde com suas decisões, abraçar ao invés de apontar. Seja luz e não trevas! Pratique a tolerância e mostre que Deus é pai e pode cuidar de todos através das suas palavras de amor e não dos seus dias de domingo na igreja. Deus é pai e ele ama. Porque você, que erra todo dia, não pode ser amor também ?