coisas que você aprende com as expectativas

Coisas que a vida ensina sobre expectativas

Eu lembro que devia ser março também. Eu acordei e coloquei uma playlist, daquelas que a gente sempre coloca quando sabe que tá meio triste. E eu estava. Estava também cheia de expectativas quebradas.

A primeira música que tocou em modo aleatório dizia: ” Did you ever feel the pain in the morning rain?” ( Você já sentiu a dor numa manhã de chuva?). Uma das músicas do Oasis que eu mais gosto. E sim, estava chovendo e eu sentia dor. Mas não dessas que a gente sente quando o tempo muda. Era dessas dor que a gente sente quando se sente insuficiente, sabe?

Quando a gente sabe que dói dentro é mais difícil. E doía como se o mundo fosse acabar. Era uma dor constante que durou dias, quase meses. Porque quando a dor é de dentro são poucos remédios que aliviam.

Mas o fato é que era dessas dores que a gente sente quando algo que a gente colocou expectativas acaba. E acho que é sobre isso que eu vou falar. A gente precisa ter cuidado com o quanto de nós entregamos ao outro. Também é nossa responsabilidade aquilo que permitimos que os outros façam de nós.

Hoje, toda vez que escuto essa música lembro o quanto doía. Mas não doí mais, isso também é parte do processo: lembrar da dor sem senti-la. E sem se sentir insuficiente por causa dela. Eu lembro que naquele momento eu me sentia insuficiente, tão insuficiente a ponto de doer.

Entenda o seu processo

Eu precisei de fato entender o que eu tava passando pra poder passar pelo processo. Às vezes, o que acontece fora de nós é um reflexo de como nos sentimos por dentro. Quando criamos muitas expetativas pode ser sinal que, de fato, há algo que precisa ser preenchido em nós e naquele momento eu vivia me sentindo tão insuficiente que eu achei que ter alguém do lado me faria me sentir melhor, suficiente pra alguém já que pra mim não estava dando certo. E é aí que está o erro!

A gente não consegue ser pro outro aquilo que não somos por nós mesmos. É errado entregar tudo de nós pra satisfazer tudo do outro porque ele pode ir embora e aí, sabe quem fica? Nós mesmos!

Sozinhos. Esperando que outra pessoa venha preencher a nossa insuficiência. Mas saiba que isso só pode ser resolvido por você. Eu falei uma vez sobre amor próprio e de fato, só olhando pra nós mesmos de forma mais amorosa é que podemos suprir as expectativas que colocamos no outro sobre a nossa própria vida.

Mas tem uma coisa que a gente precisa ser dar conta: não podemos colocar tudo que nós somos nas mãos de outra pessoa. Porque é bem provável que ela esteja lutando um milhão de batalhas que nós não conhecemos e porque é falta de responsabilidade emocional quando decidimos ser apenas passivos da nossa própria vida.

É sua responsabilidade entender seus processos, aceitá-los e agir para que eles seja concluídos. É importante tomar uma atitude, decidir o caminho, olhar pra si mesmo com suficiência e amor.

Seja vulnerável ao que sente e entenda de onde vem suas expectativas

Por ter feito tudo isso, por ter entendido quem eu era e o que eu estava fazendo naquele momento que hoje escutando a mesma música e me lembrando de quanto doeu tudo aquilo, não sinto mais dor. Foi porque eu passei pelo processo. É sobre aquele negócio de sofrer mas não fazer isso pra sempre, como falo nesse texto aqui.

Por último queria te falar que as coisas que você aprende criando expectativas é que elas não podem estar em outra pessoa. Às vezes é necessário agir com responsabilidade emocional e consciência dos seus processos e suas raízes. A única pessoa que pode transformar suas dores em histórias pra contar é você mesma! Comece!

Feliz dia das mulheres?

Se a gente precisa de um dia internacional pra saber que as mulheres devem ser respeitadas e dever ter os direitos básicos assegurados é porque muitas mulheres precisaram ser infelizes. Não é um pouco estranho pensar que PRECISA existir um dia para que as mulheres sejam minimamente ouvidas? Isso é um sinal claro que, em todos os outros 364 dias mulheres são caladas, oprimidas, espancadas e mortas. Isso é o machismo e isso é a necessidade de lutar, nem que seja um pouco, por um mundo mais igualitário.

Mas quando surge o Dia das Mulheres?

O começo de tudo acontece em 1909 quando algumas mulheres decidem ir às ruas dos Estados Unidos para lutar por seus direitos. Nesse contexto, as mulheres trabalhavam muitas horas a mais (chegando a 15 horas trabalhadas) que os homens e ganhavam muito menos que eles. Além disso, elas NUNCA ocupavam cargos de chefia. Com essa primeira passeata, as mulheres francesas também tomaram coragem e saíram às ruas para lutar por direitos. As mulheres também não tinham o direito de voto até então.

É importante lembrar que nesse contexto o feminismo ainda era muito elitista. As mulheres brancas saiam às ruas para lutar por direitos no mercado de trabalho enquanto as mulheres negras nem podiam trabalhar fora de casas de famílias. Enquanto as mulheres negras ficavam nas casas cuidando das crianças, as mulheres brancas saiam às ruas. Por isso o início do movimento feminista foi considerado elitista e depois teve seus desdobramentos para abraças TODAS as mulheres de fato.

O fato em questão é que, já empoderadas por ir às ruas essas mulheres começaram a se unir e em março de 1911 um acontecimento cruel e trágico deu ainda mais força ao movimento: um incêndio numa fábrica têxtil de Nova York matou 123 mulheres que trabalham em condições precárias, com equipamentos sem nenhuma segurança, longas jornadas e sem direito à licença maternidade, por exemplo. Essa tragédia foi um alerta para outras mulheres. Quantas morreriam mais ?

Dia 08 de março

Apesar do movimento feminista americano já estar decidido a celebrar as mulheres em um dia específico, foi um acontecimento russo que de fato oficializou o dia. No dia 08 de março de 1917 em plena Primeira Guerra Mundial, operárias de indústrias têxteis entraram em greve. Elas lutavam não só por condições trabalhistas, mas por comida, pela volta de seus maridos da guerra e também contra o Governo. Essa greve foi o estopim para a Revolução Russa.

A partir de então, todo dia 08 de março passou a ser um lembrete que as mulheres importam.

Mas como é isso hoje?

A luta continua. Ainda hoje as mulheres precisam lutar pelo básico: ganhar o mesmo salário que homens que ocupam o mesmo cargo, serem levadas a sério não pela aparência e sim pelo que são de fato, lutam contra os padrões opressivos, contra o medo de sair na rua, contra assédio e contra o feminicídio.

Aliás, só esse ano foram mais de 200 casos de feminicídio. Se você não sabe, feminícidio é um crime de ódio motivado simplesmente por as vítimas serem mulheres.

Os dados atuais mostram que UMA MULHER É MORTA A CADA DUAS HORAS NO BRASIL.

Então, de fato o que as mulheres precisam não são flores no dia 08 de março.

Como podemos mudar essa realidade

Para os homens: 

Sabe aquele menina que você achou bonita na rua? Não assobia pra ela não. Não faça absolutamente nada que fará ela se sentir um objeto e constrangida. Isso não fará que ela volte e queira viver um romance com você. Isso fará apenas que ela sinta NOJO de você. Não é pela sua mãe, pela sua filha, pela sua irmã. É porque ela é uma mulher e merece RESPEITO.

Viu um brother tratando mal a namorada? Mete a colher sim! Fala pra ele parar, fala que não tá legal e que ele tá sendo um babaca. Chame a polícia! Não deixe que o sangue de mais um feminicídio caia enquanto você assiste.

Também, respeite. Não é não. Ela não quis? Alguém vai querer! Não culpe a menina. Não fale que ela não presta, é louca, tava querendo, provocou. Seja homem e respeite.

Para as mulheres:

Não culpe outras mulheres. Não seja aquela que aponta e sim aquela que empodera. Seja amiga, seja acolhedora e escute outras mulheres. Siga mulheres, compre coisas de mulheres, leia, escute e exalte mulheres. Seja você uma motivadora de mulheres.

E mais uma vez: não se omita em casos que acontecem do seu lado. Proteja suas amigas de entrar em estatísticas de feminicídio. Meta a colher. Não deixe passar.

Acredite que pode! Ocupe lugares, tome espaços, acredite na sua voz! Empodere-se para empoderar outras!

Empodere-se!

Quero deixar aqui algumas coisas para te empoderar. O primeiro é esse post sobre a Reforma Protestante só com mulheres que mudaram o contexto. Clica aqui. 

Segundo:já assistiu o filme da Frida? Tem na Netflix, é forte, lindo e empoderador!

Terceiro: quer entender mais sobre o feminismo? Se inscreva no canal da Victoria Ferreira porque ela explica os temas de forma bem fácil. É só entrar na playlist aqui. 

Quarto: tem o post que escrevi ano passado nessa mesma data, aqui. 

É isso, até mais e empodere mulheres ( seja você homem ou mulher)!!!!!