Sofra mas não faça isso para sempre

Sofra…Se permita sofrer mas não para sempre. Permita que dia ou outro você fique embaixo das cobertas tendo uma xícara de café e o celular de companhia. Ou talvez nem isso. Apenas só você. Se permita chorar de vez em quando, chorar alivia. Se permita ouvir a música mais triste que conhece e trazer à tona todas as lembranças que te doeram um dia ou que ainda doem. Permita que você sinta intensamente tudo que sofreu e as pessoas que teve que deixar ou que te deixaram pra trás. Sofra nos dias nublados e levante nos dias de sol. Sofra quando estiver muito difícil mas levante para ir tomar um banho nos dias impossíveis.

Permita a si mesma que seu coração pare por alguns minutos sentindo aquele soco no estômago mais uma vez, aquela saudade dolorida, aquele sonho que não deu certo… Mas não deixe que isso dure mais de um dia. Você precisa levantar, enxugar as lágrimas e ver que a vida continua, por mais que, vez ou outra, você prefira que ela tivesse parado. E sabe porque ela continua? Porque ainda existem propósitos na sua vida, porque você ainda vai realizar seus sonhos, porque ainda existem motivos que te façam sorrir. Mas pra isso, meu amor, você precisa decidir viver.

Não, eu não falo isso como se fosse fácil. Eu sei que às vezes debaixo das cobertas é o lugar mais seguro. Mas isso vai te deixar cego para as pequenas coisas… Já parou pra pensar que talvez uma florzinha no meio do seu caminho pra casa pode ser um detalhe pensado por Deus pra te fazer lembrar que você é amada sim mesmo que não seja por você mesma ?

Os pequenos detalhes precisam te lembrar que você faz parte de algo maior e que toda dor que um dia você sentiu serve pra que você se torne melhor, mais forte e ainda mais amada. Você pode não ver, mas é mais amada a cada dia. A dor precisa ser sentida mas não pra sempre! Se permita assistir sua série favorita, dançar sozinha no seu quarto ao som daquela música que te anima e a ficar horas em frente ao computador vendo fotos de bichinhos fofinhos. Mas dê um basta a dor porque a felicidade bate à porta. Você já sofreu demais; é hora de deixar ela entrar!

Eu sou geração mimimi

Você vai me desculpar mas eu sou sim a geração mimimi. Vou te explicar: esses dias vi uma postagem no facebook que dizia algo como ” você pode ter amigas, desde que elas sejam feias ou do sexo oposto”, eu, que não sei me controlar quis polemizar e comentei que era assim que um relacionamento abusivo começa. Porque eu realmente acho que é.  Esse comentário teve mais ou menos 60 curtidas mas também mais ou menos 25 respostas falando que eu era mimizenta de achar que tudo era abusivo e toda aquela bagunça que as pessoas que se dizem descoladas falam. E aí eu vejo dois problemas bem gritantes nessa historinha:
1. É ridículo a gente tentar controlar as amizades da pessoa e só aceitar que ela se relacione com pessoas do sexo oposto. Isso é uma insegurança do tamanho do mundo que vai deixar a) seu parceiro sozinho, porque seu relacionamento sendo assim obviamente vai acabar uma hora. b) você sozinho porque quando seu relacionamento acabar você também terá se distanciado de todo resto do mundo.

2. É também ridículo a gente ficar classificando pessoas em bonitas e feias. Eu tenho a plena consciência que algumas pessoas me acham feias porque eu não estou no ” padrão de beleza delas”. Mas outras me acham bonitas. O que tá por fora não precisa ser o principal quando temos cérebro e nos colocarmos como rivais só mostra que não o temos.

Então meu amor, o que eu tenho pra te falar é que eu sou mimizenta sim. Eu prefiro dizer que uma relação abusiva começa com as coisas pequenas que deixar que todo mundo caia nessa neura e só saia quando está acabado por dentro. Eu prefiro polemizar e comentar que um post foi preconceituoso sim que deixar que os pequenos preconceitos tomem raízes maiores. Eu prefiro ser geração mimimi e falar que alguns atos são machismos que aceitar que eu e outras tantas mulheres sejamos rebaixadas a um objeto ou sejamos colocadas como rivais. Se eu vou mudar o mundo assim ?

Provavelmente não mas prefiro que me vejam como geração mimimi a me verem como alguém que por fingir que não viu, deixou que as raízes preconceituosas ganhassem um pouquinho mais de espaço. Prefiro receber pedras mas não deixar que apedrejem.