Menina sentada após recaída

Recaídas fazem parte do processo

Talvez você tenha ouvido a palavra “recaída” relacionada a vícios. Talvez você tenha aprendido que essa palavra tenha a ver com algo ruim.

Mas a verdade é que ao longo da vida você aprende que nada é linear. Nada é linear porque você não tem o controle de absolutamente nada na sua vida. O sobrenatural é que Ele tem. Ele sempre terá.

Demorei algum tempo para me familiarizar com as recaídas. Principalmente porque eu achava que deveria ter controle de tudo. Imagina só, uma ansiosa perdendo o controle de tudo em uma crise de ansiedade? Era devastador pra mim.

E achava que estava bem, que me sentia melhor e aí vinha mais uma crise de ansiedade, mais uma recaída pra me mostrar que eu realmente não tinha controle nenhum sobre absolutamente nada. Toda vez que eu voltava (na minha cabeça) pro ponto inicial do meu processo de lidar com a ansiedade eu sentia que havia retrocedido. Eu sentia que nunca conseguiria deixar de lado aquela amiga tão inconveniente: a ansiedade. Por causa dela, senti que desenvolvi alguns comportamentos destrutivos que eu sabia que nunca me ajudariam a chegar a lugar nenhum e ainda que poderiam interferir seriamente na minha vida.

Eu achava que estava bem quando passava por algumas semanas sem crises fortes de ansiedade. E eu achava que tinha o controle agora. Aí na próxima semana eu tinha uma crise e achava que todo meu processo e tratamento havia sido em vão. Por muito tempo foi uma batalha interna aceitar os altos e baixos até que depois de uma das crises, me sentindo muito culpada e derrotada até,  minha psicóloga disse algo que nunca esqueci e a partir daí comecei a aceitar, com mais amor, os processos.

Recaída faz parte e amadurece!

O que ela me disse foi algo do tipo: “Nada é linear. As recaídas são necessárias para você entender que não quer ficar lá embaixo e que ainda tem forças para continuar lutando”. Na maioria das vezes, as coisas não são sobre quanto tempo você fica no chão e sim quantas vezes você levanta. Porque o cair no chão não é uma escolha mas o levantar é. Você precisa escolher continuar lutando. Começar de novo. Reiniciar o processo.

Mais forte do que cair é levantar. Mais forte do que cair é entender que não existe como ser mais forte caindo e levantando. É assim que nós aprendemos. Nós, infelizmente não conseguimos aprender de outra maneira. Nós precisamos aprender que faz parte do processo de moldar e mudar nosso caráter. O fato é: tá tudo bem ter recaídas!

Além de fazer parte do plano de Deus, faz parte do processo de VIVER! Viver é correr risco, é se machucar e se curar, é cair e levantar! Definitivamente não existe outra maneira de viver a vida a não ser enfrentando os processos. E olha, se você conseguir achar um meio de fazê-los não serem doloridos, me ensina viu ? Porque vai doer. As vezes vai dor muito! Mas você tem duas escolhas: se olhar com os olhos das vezes que caiu ou com olhos das vezes que levantou!

Tudo isso pra quê?

Tudo isso pra que você entenda que não é preciso ter medo das vezes em que não tiver controle, dos dias em que as recaídas baterem à porta e dos dias que, mesmo sem querer, você se sentir triste e decepcionado com a vida. Porque parece que estamos sendo ingratos com Deus quando não estamos 100% felizes com o que temos. Mas se lembre que Jesus também se sentiu profundamente triste antes de Sua morte. Não era o que Ele queria, mas era o que Ele precisava. ( Mateus 26:38-39)

Mas imagina, Jesus se sentiu profundamente triste e além de falar com Deus, Ele era o próprio Deus. Então, porque insistimos em achar que somos fortes o suficiente para nunca questionar e nunca cair? Tá tudo bem. Faz parte do processo. Então comece a ver as coisas de uma perspectiva nova. Porque é isso que Deus quer que aprendamos com as recaídas: que elas servem pra nos deixar mais fortes e maduros. E amadurecer as vezes é um pouco dolorido mesmo. Mas os frutos do Espírito sempre prevalecem sobre a carne!

 

Favela mostrando que vota certo é sobre o outro

Vota certo, por favor!

Vota certo dessa vez! Sabe qual o problema de que você não leia a proposta dos candidatos à presidência? É que isso interfere na minha vida também. Sabe o pior de interferir na minha vida? Interfere na vida do morador de rua, do usuário de droga, da mulher negra pobre. Do adolescente órfão que mora na favela. Da professora de escola pública que apanha do marido mas precisa dele porque o salário dela é baixo demais pra manter as duas filhas. Interfere na vida do carcerário que é visto como um bicho mas que também tem pai, mãe, irmão, amigos e quem sabe até uma esposa.

Interfere na vida da mulher que foi estuprada. Interfere na vida do jovem negro que só tá cursando medicina porque conseguiu entrar na faculdade por causa da cotas. Interfere na vida da mulher que é da umbanda e tem suas coisas quebradas por causa de intolerância religiosa. Interfere na vida da mãe solteira. Interfere na vida daquele cara que sonha em montar uma empresa mas não tem dinheiro pra ir pra faculdade nem de transporte público. Interfere na vida da menina que sai de roupa curta e as pessoas colocam o assédio como culpa dela. Interfere na vida de quem não tem dinheiro pra comprar comida. Interfere na vida de quem não tem casa mas sonha em construir uma família. Interfere na vida do cara que saiu da cadeia mas que não consegue emprego e por isso volta pro crime. Interfere na tua vida também!

Vota certo dessa vez!

Não vota em candidato que usa o nome de Deus pra propagar ódio, não! Ou você realmente acha que o seu Deus não olharia pra essas pessoas com olhos de amor e misericórdia?

Não vota em candidato que acha que é melhor matar do que tentar recuperar! Foi por caras como esse que Jesus foi morto. Não vota em candidato que diminui as mulheres por achar que submissão bíblica é aceitar que só um homem seja seu chefe. Jesus apareceu primeiro pra uma mulher.

Não vota em candidato que fala ser pró-vida porque não aceita a legalização do aborto mas diz que o porte de arma deve ser legalizado. Qual a relação entre deixar viver um feto e matar um adulto/criança/jovem ou adolescente?

Não deixa o nome de Deus ser dito em vão.

Não deixa que a lei fale mais alto que a graça e que o ódio grite mais forte que o amor! 

Tem muita gente se dizendo de Cristo mais agindo em ódio, preconceito e rancor. E olha, se você não consegue olhar para o ex detento com amor então é porque ainda não entendeu que a graça de Deus é a mesma, você não merece mas Ele te olha com amor. Qual a diferença entre o cara que cometeu um crime e foi preso de você que comete um pecado? Ele pagou sua dívida enquanto você ainda caminha em morte.

Vota certo porque o seu voto interfere na vida de quem tem menos que você e de quem ainda não conheceu a graça que você conhece. Ou será que Jesus reflete nos olhos de pessoas que escolhem por quem lutar? Vota certo porque a sua luta não é só pela sua família mas também por aqueles que ninguém olha, ou senão que tipo de Cristo você conheceu?

Vota certo porque voto não é sobre você.

É sério. Por mais que parece que seu mundo é grande e o único que merece atenção, não, votar não é sobre você. Votar é sobre quem tem menos condição que você. Principalmente menos comida, menos dinheiro, menos oportunidade, menos saúde, menos segurança, menos qualidade de vida. Porque o mundo é um lugar bem desigual mas a desigualdade social é algo que a gente só muda olhando pra além do nosso umbigo e mundo, estrategicamente montado pra estar no centro do universo.

Se você não conseguir lutar pelo menino de 12 anos que cometeu um assalto e por estar tão nervoso matou uma senhora a tiros, então não há vontade de mudar o mundo em você. O menino de 12 anos pode morar em condições precárias, estar em uma favela com tiros a todo tempo, nunca ter conhecido os pais e nem saber o valor da vida dele porque nunca ouviu que a sua vida valia e por isso era só mais uma senhora. Sabe qual o problema? Você não falou do amor de Jesus pra ele ainda.

De verdade, não defenda candidatos que sem prenda a muletas emocionais. Muletas emocionais são aquelas coisas que emocionam, que abraçam o nosso coração. Mais uma vez: o que adianta ser contra a descriminalização do aborto mas ser a favor do porte de arma, da redução da maioridade penal, de que uma mulher ganhe menos, de que um filho gay seja espancado ? Mas não é tudo forma de matar também ?

Votação é sobre olhar pro outro.

Sério, não é sobre você. Você que conseguiu entrar na faculdade particular. Você que tem pais. Você que tem amigos. Você que é hétero. Você que estou em escola particular. Você que consegue ir ao médico sempre que está doente e tem remédios pro tratamento. Você que conseguiu um emprego. Você que nunca viu tiro de perto ou viu um familiar ser assassinado. Mas voto não é sobre você. Então vota certo dessa vez, nem pelo amor e nem pelo ódio. Pelas propostas. Pela coerência. Pela tolerância. Porque tem gente cheio demais de si e vazio demais do outro. Como apoiar candidatos que não olham pro outro ou que olham apenas pra uma parcela da sociedade? O preconceito mata muito mais que o aborto e porque ninguém liga pra isso? 

Quer uma dica: aprenda mais sobre as eleições. Conheça os cargos, os poderes, as funções. Acompanhe os candidatos e não se deixe levar pelos discursos políticos que não são aplicados a vida deles. Perceba quem eles são fora do horário eleitoral obrigatório. Quem tem participação no legislativo. Quem foram antes de candidatos a presidência. Se não fizeram nada antes, jura que acha que farão depois?

A Jout Jout está fazendo uma série sobre as eleições em seu canal no youtube com explicações sobre tudo isso, a importância dos votos, aplicativos para acompanhar seus candidatos e muito conteúdo relevante.

Comentar o corpo do outro & Bruna Marquezine

Eu preciso falar sobre a mania de comentar o corpo do outro. Isso sempre foi uma coisa que me irritou profundamente. Acho que por ter feito o livro “Eu não moro mais em mim” ( que o prefácio você pode ler aqui), percebi que o comentar o corpo do outro é muito mais complexo do que imaginamos. Isso porque pode servir de estímulo pra um transtorno alimentar. Praticamente todos os casos que contei no livro são de pessoas que ouviram alguma coisa de pessoas queridas e por isso começaram a desenvolver comportamentos de ódio ao próprio corpo. E depois algum transtorno alimentar. O fato é que as pessoas não sabem o quanto pode ser destrutivo e prejudicial comentar sobre peso. Aparência. O que eu acho ou não do corpo do outro. (Que aliás por ser uma opinião minha, deveria ficar só comigo.)

O gancho que peguei para falar sobre o assunto foi uma declaração da Bruna Marquezine no seu instagram. Ela postou no storie alguns vídeos dizendo sobre o fato de que as pessoas vivem comentando em suas fotos sobre, atualmente, ela estar magra demais. Caso você não consiga assistir os stories vou contar um pouco aqui. Ela mostrou alguns prints dizendo: “tá magra demais, homens gostam de carne” – o que ela respondeu: leva ele na churrascaria! “Nossa, gostava quando você tinha mais curvas“, “nossa, tá muito magra, tá parecendo anoréxica“. E por ai vamos em comentários ridículos que poderíamos passar o dia escrevendo.

Bruna Marquezine continuou dizendo que ela estava bem, tinha feito todos os exames e estava saudável. Recomendou que a gente parasse de comentar coisas sobre o outro e ainda disse que emagreceu por conta da personagem que havia feito na novela. A atriz decidiu que seria melhor que estivesse mais magra pra interpretar o papel. E tá tudo certo.

Comentar o corpo do outro: preocupação ou falta de noção?

Sempre falta de noção. Mas gosto de pensar que as vezes ignorância por não saber o peso das palavras também. Só que nunca preocupação.

É muito fácil entender isso: quem padroniza que até determinado peso está tudo bem e que, acima ou abaixo daquilo é necessário se preocupar com a saúde? As revistas! Olha só como agimos em cima de padrões opressivos e irreais.

O que eu queria falar é que não enxergamos se uma pessoa está saudável ou não apenas olhando seu corpo. O que buscamos, incansavelmente, é ver no outro aquilo que os padrões nos dizem que é bonito. Está parecendo com as atrizes principais das novelas (sempre magras)? Ok, saudável! Está mais magra ou mais gorda que elas? Ah não, tem que cuidar da saúde! 

Nossa régua de comparação é ridícula e opressora!

Achamos, por algum motivo que os cientistas não descobriram, que é super legal fazer críticas construtivas com o corpo do outro. “Ah, mas é elogio falar que emagreceu!” Então é ruim falar que engordou, né? Sim é! Mas no caso da Bruna, percebe que nem o estar magra era o suficiente pra estar de acordo os padrões? PORQUE É IMPOSSÍVEL ALCANÇAR.

Você não precisa agradar o padrão do outro

Só entenda que você não tem que comentar sobre o corpo do outro NUNCA. Comenta sobre a inteligência, o quanto a pessoa fala ou escreve bem. Comenta sobre as coisas boas que ela faz. Comenta sobre quem ela é e não sobre a aparência. Sabe porque? Porque é IRRELEVANTE e não é DA TUA CONTA. Sério, não é. Porque só ela que tem que saber se gosta ou não do corpo dela.

1- Ninguém foi feito pra alcançar o padrão de beleza do OUTRO.

2- Corpo não é um objeto de exposição. É um veículo para todas as histórias. Um lugar de biografia. ( Inclusive a jornalista Jéssica Balbino está fazendo um curso online que chama Meu corpo minha biografia, que você pode se inscrever aqui.)

3- Empatia nos impede de machucar o outro. Isso porque a gente nunca sabe as lutas internas das pessoas. Então melhor que colaborar pra não aceitação é ficar quietinho no seu canto, né?

4- Para de exaltar aparência e começa exaltar caráter. Fala de outras coisas. É tão mais legal!

Para terminar deixo algo que a Bruna Marquezine disse nos vídeos: “Não se enxergue através do olhar do outro” e ainda completo: as vezes a imagem distorcida é a do olhar dele!

E você que tem mania de comentar o corpo do outro e adora falar que as pessoas emagreceram ou engordaram: apenas pare porque realmente não é da tua conta.

Livro Eu não moro mais em mim da autora Gabrielle Soares Barbosa

PREFÁCIO – Eu não moro mais em mim

Por toda vida convivi com meninas e meninos insatisfeitos com seus reflexos no espelho. Eu mesma nunca me senti totalmente à vontade com a imagem que via. Na adolescência, passei e dividi conflitos internos sobre meu corpo e a vontade de mudá-lo. Vi uma das minhas melhores amigas travar uma batalha contra a anorexia. Com estudos percebi que os transtornos alimentares são mais comuns do que ousamos imaginar.

Lembro-me de achar que eu não me encaixava nos padrões de beleza por não ser alta ou magra o suficiente. Lembro-me de amigas fazendo dietas malucas. Mas isso tudo parecia normal, o estranho mesmo sempre foi achar alguém que gostasse do seu corpo e que o achasse totalmente adequado, sem o sonho de mudar uma coisinha aqui e outra ali, emagrecer alguns quilinhos…

Lembro-me de ler uma notícia que contava o caso de Daiana Dornelles, uma jovem de 21 anos que morreu por complicações da anorexia e que era incentivada a manter seu peso muito baixo nas redes sociais. Sobretudo, lembro-me de que as notícias que chegavam até mim sobre casos de transtorno alimentar eram predominantemente em modelos, principalmente em garotas.

Me parecia tão raros que por isso achava ter tão pouca atenção midiática. Mas a verdade é que a magreza vende. O que vemos nas revistas e na televisão se distancia rapidamente de representar mulheres e homens da vida real. Estão longe das mulheres que comem fora da dieta porque precisam trabalhar, estudar, viver… Os homens da capa de revista são aqueles que não falham nenhum dia na academia. Fazer exercícios físicos não é o problema, mas fazer de um corpo sarado o único aceitável é. Ditar regra para classificar o que é bonito ou não, é o problema.

O que eu pensava até começar esse livro é que os transtornos alimentares eram causados apenas pela busca obsessiva pela magreza. Descobri que isso é uma mentira. Os transtornos alimentares vêm de sentimentos guardados, sufocantes, que se expelem em forma de ódio ao próprio corpo. São fruto de traumas tão fortes e de medos tão grandes que geram a necessidade de sumir, estar cada vez menor para quem sabe, desaparecer.

Vivi dias intensos, conhecendo pessoas maravilhosas, profissionais que acreditam no que fazem, tendo diálogos que mudaram muito mais a minha vida do que eu poderia imaginar. A cada relato, a cada segredo confessado me sentia ainda mais obrigada a falar sobre os transtornos alimentares. Sentia-me cada vez mais obrigada a mostrar que doenças psíquicas levam à morte e que nós precisamos parar de cooperar para que o sentimento da não aceitação brote no coração do outro.

Se você se identificar com esse livro e achar que tem hábitos parecidos com os relatos citados aqui, busque ajuda! Você não precisa viver nesse emaranhado de sentimentos que te torna tão menos você. Não deixe que sua doença te de-fina. Não deixe que ela te diga quem você é. É hora de começarmos a falar sobre isso, é hora de nos responsabilizarmos pela mania chata e destrutiva que temos de comentar sobre o peso do outro. Nosso corpo não nos define. Você precisa voltar a morar no seu corpo e aceitar a sua beleza real, com cicatrizes, imperfeições e ter paz com o espelho. Lembre-se: os padrões não te definem!

Não olhe pra trás com raiva

Eu nem sei quantas vezes olhei pra trás e achei que tinha passado coisas que não precisava. Que algumas pessoas me machucaram sem ter um motivo e que não precisaria ser do jeito que foi. Eu não sei quantas vezes olhei pra trás com raiva. Raiva do que havia sido, do que nunca foi e de tudo que eu queria que tivesse acontecido mas não permiti ou não consegui realizar. Raiva das dores, dos amores perdidos, das amizades que não eram bem amizades. Das coisas que, ao longo da vida, a gente vai deixando pra trás. Olhei muitas vezes com raiva. E de certo modo questionando o porquê das coisas.

Ouvindo, por umas milhões de vezes  a música do Oasis – Don’t look back in anger   comecei a pensar que as vezes a vida é viver e não olhar pra trás com raiva. Esperando as quedas, porque sem elas não há sinal de que estamos subindo e subir significa evoluir. Evoluir significa entender que mesmo caindo ainda há um caminho pela frente. E a vida é feita de riscos. Arriscar é importante e se machucar é buscar a cura. Quando olhamos pra tudo que enfrentamos na vida – e eu só tenho 23 anos então não posso dar aquelas lições de moral porque há muito a ser vivido ainda – e percebemos que “ok, isso me faz quem eu sou”, as feridas se tornam cicatrizes. As cicatrizes se tornam empatia por quem passa pelas mesmas batalhas.

Já pensou que talvez tudo que você passa é pra que mais frente tenha a oportunidade de mudar completa e definitivamente a vida de alguém com o seu testemunho?

Então não olhe pra trás com raiva

Tudo faz parte da construção de quem você é! E é importante pra te fazer mais forte e maduro. Mas imagina se não tivesse vivido essas coisas e continuasse sendo aquela pessoas imatura de antes das tormentas?

Quando digo para que não olhe pra trás com raiva não digo para que olhe para essas experiências como algo bom. Nem sempre é possível que as tormentas se tornem algo lindo. Mas digo pra você olhar para quem se tornou depois delas. Por mais que elas tenham sido ruins e difíceis e por mais que, ainda hoje, você optaria por não enfrentá-las se pudesse. Tá tudo bem não entender o que se passa e querer não passar. O fato é que você não pode carregar raiva pelo que passou em você.

Lição de Paulo

Paulo diz em Coríntios que tinha um espinho na carne, uma ferida. Isso não era algo bom e nem algo que ele gostaria de passar. Mas entendeu que precisava daquilo para que o seu ego não fosse inflamado e ouve do Senhor:

Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
2 Coríntios 12:9

Que loucura a de Paulo! Se gloriar de suas fraquezas! Mas é porque nesse momento ele entende que só sendo humano e enxergando as próprias fraquezas é que o poder de Deus se aperfeiçoa em nós. Então não olhe pra trás com raiva! Faz parte do plano perfeito de Deus para que você enxergue a Sua infinita graça!

Hoje queria te fazer um convite a abraçar todos os momentos de quedas e de sofrimento. Olhar pra eles sem raiva e sim como uma oportunidade de florescer em meio ao caos. Uma flor é linda na natureza, em uma floresta. Mas é muito mais admirada quando nasce em meio ao asfalto, na bagunça da cidade grande. Assim somos nós ao passarmos pelas lutas. Floresça até onde não há espaço. Há sempre beleza em tudo!

Mulher descansando para desacelerar

Desacelerar é preciso para seguir

Sabia que às vezes é preciso desacelerar? Eu costumo dizer que não há nada de ruim com a solidão quando ela se transforma em solitude. Não há nada de errado em ficar sozinho, respirar fundo pra tomar impulso pra enfrentar o mundo de novo. Eu sei que não é fácil estar nesse mundo e que tem horas que a gente acha que não tem mais o que fazer. Nosso coração não aguenta mais, acabou, já era!

Eu nem sei dizer quantos momentos achei que meu coração não aguentaria bombear mais sangue ao resto do corpo. Ou que meus pulmões não conseguiriam puxar o ar pela última vez. Mas eu aprendi que em todos esses momentos eu precisaria desacelerar, respirar e colocar meu coração nas mãos de Deus. Porque na maioria das vezes, se é por nós não conseguindo mas se é por Deus, nada pode nos impedir, nem nós mesmos! (Isaías 43:13)

Desacelerar pra ouvir a Deus

É impossível ouvir as coisas de Deus quando nosso eu humano, carnal, frágil e abalável está gritando. Isso porque, no meio das grandes tempestades temos mania de deixá-lo com mais liberdade. Mas quando Ele tem espaço, Deus não consegue tomar as rédeas da situação. Não porque Ele não pode, mas porque Ele te dá escolhas de orar na cova dos leões e esperar Seu socorro ou se desesperar e ser devorado. E quantas vezes escolhemos ser devorados sendo que poderíamos ter socorro, hein?

Algumas coisas nessa vida exigem tempo e calma. (E oração sempre!) Mas é possível que você só consiga sair do meio da cova dos leões se estiver com o coração entregue e tranquilo. Paz que excede entendimento sabe? Porque as vezes é preciso desacelerar para enxergar que Deus ainda está ali. É preciso se conhecer em profundidade para não deixar que os leões e provações e tempestade dessa vida te abalem – aliás, você não é daqui.

Solitude e solidão

Desacelerar é ter solitude pra resolver e deixar Deus agir em cada dia, em cada tempestade, em cada ferida e em cada cura da sua vida. Solidão pode ser ruim. Pode te deixar triste, pode fazer com que você se sinta sozinho, mas solitude não. Solitude fará com que você desacelere a ponto de mergulhar no seu profundo e por fim no profundo de Deus. Você é criatura projetada por Ele então toda vez que se achar, achará Ele também, vocês são UM.

Não tenha medo da solitude e não se perca na solidão. Mas entenda que Deus precisa trabalhar no silêncio, no silêncio de quem quer ouvir as respostas Dele. Em uma conversa, quando há muito barulho você não consegue ouvir o que seu amigo diz, e com Deus é assim também. As vezes, não é que Ele não está falando, é você que está tão dentro da sua confusão que não consegue ouví-lo.

Porque Ele sempre está ali. E Ele sempre estará. Mas você escolhe ouvir a voz de Deus ou a bagunça da sua cabeça. Porque nós somos uma eterna bagunça. E só desacelerando é que conseguimos ouvir as palavras de amor e de exortação que Deus tem pra nós. E quem é você em meio a cova dos leões, o que ora ou o que já espera ser devorado?

Mulher no meio das flores com paz que excede entendimento

Paz que excede entendimento

É engraçado como é a vida quando caminhamos por fé e em conhecer a palavra de Deus. Depois de alguns anos tendo escolhido Jesus e andando por meio das promessas e verdades que Ele tem pra nossa vida, achamos que já sabemos o suficiente. Conhecemos as histórias da Bíblia e algumas, de tanto ouvir, sabemos contar de trás pra frente. Mas o problema é que quando vem a tribulação e o dia mau, questionamos sobre onde Deus está.

Aliás, o dia mau vem para todos, assim como veio para Jesus. O dia mau existe e muitas vezes chega até nós para amadurecimento e acaba não sendo de tudo mau. Quem seria você sem seus dias maus? Provavelmente muito mais imaturo do que hoje. Suas cicatrizes fazem de você quem você é, então, apesar da dor, você pode ter orgulho de cada uma delas.

O fato é que por acharmos que sabemos muito de Deus e que já vivemos o máximo que poderíamos ter vivido em Sua palavra e presença, achamos que temos o controle dos dias maus. Mas o conhecer a Deus vem da paz nos dias maus e de entender que não estamos isentos de passar por momentos ruins e tempos de sofrimento.

Paz que excede entendimento humano

Imagine só que no livro de Filipenses , Paulo escreve que a paz de Deus, que sobrepõe todo entendimento humano guardará o nosso coração e Provérbios 4:23 diz que sobre tudo que devemos guardar, precisamos guardar o nosso coração porque dele procede as fontes de vida.

Bom, se do nosso coração procede as fontes de vida e, a paz de Deus guarda o nosso coração, só temos vida quando temos a paz de Deus. Isso é bem mais complexo do que parece porque essa paz excede o entendimento humano, isto é, a olho humano não faz sentido nenhum. Afinal, quem estaria em paz em meio a tempestade? JESUS! Jesus estava em paz, Ele dormia. Já os discípulos se desesperavam com a tempestade do barco. Se precisamos ser mais parecidos com Jesus, precisamos também, desesperadamente, copiar suas atitudes.

Parece que só se conhece as verdades de Deus quando se busca a paz que excede entendimento. E é TODO entendimento. Entendimento que você tem sobre você e sobre as pessoas. Aliás, a paz só vem quando olhamos pra nós e não para o outro. Se o nosso foco é quem está do nosso lado, nos perdemos. Se continuarmos a leitura de Filipenses 4, veremos que existe um caminho para alcançar a paz que excede entendimento humano.

“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.”
Filipenses 4:8

Alcançando a paz

A maneira de alcançar paz é olhando para as coisas que são dignas e excelentes. Essas coisas vêm do coração de Deus. Se baseiam em amar sem julgar porque a Bíblia diz que julgar é indesculpável – e se não há perdão, não há paz -. Se baseiam em olhar mais pra dentro do que pro lado: se falamos muito do outro é porque há faltas em nós. É manter o nosso coração longe das paixões da mocidade. E quando é dito isso não é apenas no sentido amoroso das coisas. É principalmente as coisas que somos apaixonados mas que roubam o nosso tempo e espaço com Deus. Também é estar mais tempo na internet do que com a Bíblia aberta. É falar mais dos outros do que de Deus. Quantas paixões da mocidade existem pra nos desviar do foco que é Cristo!

Paulo diz ainda sobre ser adaptável, ou seja, precisamos aprender a nos adaptar as circunstancias. Mas isso não é sobre permanecer nos dias maus, mas saber que há tempo de plantio e tempo de colheita como diz em Eclesiastes. Há tempo para todo propósito. Tempo para sorrir e tempo para chorar. E tudo bem, isso é parte do processo de transformação que Deus tem pra fazer.

Ainda para alcançar a paz que excede todo entendimento precisamos ser amáveis. Quando somos amáveis temos Deus e se temos Deus há paz em nós.

“Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor.”
Filipenses 4:5

Comece a andar sobre as águas

Disso tudo, sabemos que alcançar a paz é tão necessário quanto respirar. O mundo está buscando por ela em coisas e paixões da mocidade enquanto nós a temos dentro do nosso coração mas perecemos por falta de conhecimento. E falta de conhecimento da palavra de Deus como a Bíblia já nos alertou. Que o nosso coração possa olhar pras coisas do céu, pras coisas que são nobres, puras e retas e que possamos agir em amabilidade para assim a paz que excede entendimento seja constante em meio a tempestade e então possamos, antes de clamar desesperados por Jesus, encontrá-Lo e andar com Ele sobre as águas.

Demi Lovato cantando em show

Demi Lovato e saúde mental #PrayForDemi

A Demi Lovato é uma das maiores artistas da atualidade. Ela começou tudo muito cedo. Faz parte do elenco da Disney Channel desde que era uma criança, começou muito cedo a fazer sucesso como atriz e cantora sendo ainda uma criança de 8 anos. Estourou com 17 quando foi protagonista da Camp Rock com os Jonas Brothers. Isso tudo parece ser incrível, afinal, quem não quer um pouco de fama e de sucesso – e dinheiro também ? Mas o fato é que não foi o sucesso que veio cedo. Vieram também as pressões, o contato com um mundo que seria muito melhor não ter conhecido. Vem o vazio também, as pessoas estão do seu lado porque gostam de você ou pelo que você pode proporcionar por causa da fama e do interesse que as pessoas tem em você ?

Quando eu paro pra pensar em famosos que tiveram problemas psicológicos, que surtaram de alguma forma eu penso que talvez isso aconteça porque nós não conseguimos enxergá-los como pessoas reais, que sentem dor, que sofrem… Tudo isso porque, na nossa cabeça, condição financeira compra saúde mental.

Demi Lovato e saúde mental

Eu sempre fui muito fã da Demi. Já até escrevi uma matéria pra uma Revista sobre ela, a matéria inclusive tá aqui no blog . 

No começo do blog também escrevi sobre ela aqui. Tudo isso porque pra mim ela sempre foi uma pessoa forte. Imagina só, uma menina que começou cedo uma carreira de sucesso passando pela adolescência – uma fase que nos questionamos quem somos, porquê e qual a nossa diferença no mundo – apegada ao pai que acaba escolhendo as drogas e bebidas no lugar da família? Imagina ainda uma adolescente de 17 anos que tem todos os olhos voltados pro seu corpo quando nem ela mesma se aceita? Imagina ter que ouvir: “Demi engordou. Da forma depreciativa como os tablóides de notícias fazem sendo que ela luta a vida inteira contra a bulimia nervosa?

O que nós não percebemos é que não importa quem somos, qual a posição social… Cada pessoa luta uma batalha que a gente não conhece. E saúde mental tem muito mais a ver com sentimentos internos do que externos. Não é sobre como as pessoas te vêm, é como você se vê e isso não tem a ver com outro. Por isso empatia muda o mundo. Quando paramos de julgar e passamos a abraçar as pessoas a percepção que elas tem delas mesmas, muda.

Deixo o documentário da Demi Lovato pra você entender um pouco mais sobre as batalhas e as lutas dela. É um documentário que fala sobre bulimia, transtorno bipolar, uso de drogas, abandono paterno, cobrança de perfeição. É realmente forte e pode mudar a sua percepção sobre os transtornos mentais.

 

Não seja um semideus

Você já parou para pensar que é humano? E que ser humano implica em errar, em cair, levantar e em seu vulnerável? Você já parou pra pensar que não é Deus e muito menos semideus – quase Deus ?

Acho que um dos maiores erros que a gente comete na vida é querer ser um semideus. Explico: nós passamos grande parte da vida querendo mostrar que não sofremos, que somos fortes, que as coisas não nos afetam, que estamos no controle de tudo, que aceitamos totalmente todas as coisas. Somos semideuses né ?

Só que o problema é que isso te afasta de Jesus e mais ainda das pessoas. Se somos tão autossuficientes, não precisamos de ninguém por perto, inclusive de Deus.

Nós nos aproximamos de Deus e das pessoas quando somos vulneráveis. A vulnerabilidade nos permite ser cuidados, tratados e libertos. A vulnerabilidade é saber que não, nós não somos auto-suficientes e nós precisamos do outro sim pra viver. Nós precisamos de atenção, ajuda, empatia. NÓS PRECISAMOS.

Vulnerabilidade nos ensina a amar mais as pessoas por saber que cada um tem suas batalhas, nós temos as nossas e cada pessoa tem a sua, mesmo que a gente não saiba. Vulnerabilidade é se mostrar humano pro outro pra permitir que ele se mostre humano pra nós também. Ninguém nunca vai se abrir com você se você for um poço de certezas e nunca demostrar enfrentar batalhas. “É melhor não se abrir pra alguém que tem tudo tão resolvido, que é quase Deus”, as pessoas vão pensar. Vulnerabilidade é o único meio de gerarmos cura.

Não temos motivo pra ser semideus

Se na Bíblia tá escrito que o choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã é porque VAI TER CHORO. Não tem como se livrar disso, mas é preciso chorar. É preciso se permitir sofrer de vez em quando. Não para sempre, mas de vez em quando é preciso sofrer. E tudo bem chorar de vez em quando, faz bem!

Deus nos fez pra ser humano, até Jesus, que era o próprio Deus em corpo de humano passou por aflições, chorou, perguntou pra Deus se tudo aquilo era preciso mesmo, se Ele teria realmente que passar toda aquela dor, aquela angustia e humilhação. Jesus foi humano. Porque nos vemos como semideus? E sabe, tá tudo bem ter dias ruins. Tá tudo bem se questionar as vezes porque isso faz parte de todo processo. Todo processo é necessário ser vivido. Toda dor precisa ser sentida pra gerar cura.

O amor vem devagar o resto é pressa

O amor vem devagar o resto é pressa. É isso, só isso.

Se causa turbulência, se causa bagunça, confusão e você não sabe como agir não é amor, é carência. Amor nunca vem pra causar dúvida, ele é um tiro certo, uma faca com a cerra afiada, uma verdade absoluta – mesmo que toda verdade seja absoluta e não dê pra ser verdade pela metade. Mas acontece é que a vida tá cheia de pessoas pela metade, de meias verdades, meios amores e quase certezas. Isso não é amor, é pressa ou desespero.

Pressa de não dar tempo e desespero de nunca encontrar alguém que seja sua verdade absoluta. Mas só tem esse medo quem não sabe ser sua própria verdade, quando você sabe quem é não precisa de outro ser humano pra te validar como pessoa, como amor. Essas coisas aí, de ter pressa, de amores que bagunçam servem pra quem não sabe o que quer ou não quer nada por enquanto e na verdade, até quando a gente pode aceitar ser a meia verdade de alguém? Tudo que é pressa, uma hora acaba. Até quando a gente pode aceitar ser o passatempo até ter certeza de quem não sabe nem o que é ?

O amor vem devagar.

Porque antes de tudo o amor é paciente, é benigno. Antes de tudo, o amor se alegra com a verdade e sem ele nada é possível, o amor é a maior de todas as coisas. O amor vem devagar. O amor vem devagar porque vem aos poucos. Conquista seu espaço com o intuito de não ir embora – mesmo que um dia vá. E tá tudo bem! Não é só porque acabou que não era amor, algumas coisas tem tempo pra durar e a maturidade nos faz entender e aceitar o tempo de tudo.

O amor é como um copo de café. Só pode ser bom se for quente. Mas ao mesmo tempo, se consumido rápido demais, queima. O amor é como um café que, aos poucos vai deixando seu gosto e esquentando. O amor, meu amor, vem devagar! Todo resto é pressa.